POESIA AO AMANHECER – 344 – por Manuel Simões
12 anos ago
SÉRGIO VIEIRA
( 1941 )
TRÍPTICO PARA ESTADO DE GUERRA ( I quadro)
Grevistas cadáveres de Xinavane
dando mãos fraternais
às bocas definitivamente abertas
dos camponeses de Mueda
PARA QUE FOME SAIA DOS VENTRES
Pés andando e trepando carregando
com orelhas que ouvem lições novas
diferença subtil
da bala que mata e outra que só faz barulho
PARA QUE HOMENS NÃO MORRAM NA MINA
Jovens de olhos negros e sobretudos
em paisagens de neve e línguas estranhas
PARA QUE CRIANÇAS SAIBAM LER
Trabalhadores
de campos brancos de algodão
de poeira cinzenta de cimento
jovens
acariciando formas ásperas de granadas
atravessam longos corredores de Universidades
PARA QUE UM POVO LIVRE MAIS OUTRO POVO LIVRE
SEJAM AMIGOS
(de “Poesia africana di rivolta”)
Poeta moçambicano. Incluído na colectânea “Poetas de Moçambique” (CEI, 1962) e também na “Breve Antologia de Literatura Moçambicana” (1967). Antologiado na “Poesia africana di rivolta” (ed. bilingue, 1969).