POESIA AO AMANHECER – 34 – por Manuel Simões

José António Gonçalves – Portugal

( 1954 – 2005 )

RENTE AOS OLHOS

ao poeta A.J. Vieira de Freitas

rente aos olhos a lágrima a

manhã  o orvalho a mão

sobre o arado e o sol nascendo

rente aos olhos a rosa o gume do

espinho a terra crua inchando

sob os pés gretados e o suor

crescendo

rente à pele o amor a voz de

prisão às coisas à cinza ao

azul do mar batendo a praia deserta

e inocente

rente ao homem os dedos cansados

o sono infinito os canteiros vazios

dois palmos de novo dia e um poema

branco sem palavras

(de “Antologia Verde”)

Poeta madeirense. Estreou-se com “É Madrugada e Sinto” (1974), depois do que publicou, entre outras, as seguintes obras: “A Crista de Neptuno” (1975, com prefácio de Natália Correia); “Antologia Verde” (1991); “Os Pássaros Breves” (1995); “Esquivas São as Aves” (2001) e “As Sombras do Arvoredo” (2004), para além do volume antológico “Tem o Poder da Água” (1996).

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