Nota prévia: Para ouvir os poemas de Luís Pignatelli (cantados por Vitorino, José Afonso, Janita Salomé, Adriano Correia de Oliveira e Teresa Silva Carvalho), há que aceder à Página
http://nossaradio.blogspot.pt/2013/12/celebrando-luis-pignatelli.html
e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.
Cantata
Poema: Luís Pignatelli (in “Obra Poética”, Lisboa: &etc, 1999 –
pág. 87)
Música: Janita Salomé
Arranjo: João Lucas e José Mário Branco
Intérprete: Janita Salomé* (in LP “Olho de Fogo”, Schiu!/Transmédia,
1987)
Dos
nocturnos
espelhos
fugimos
corrosivas
bocas
hiantes
as suas
nelas
se acendem
os lumes
da morte
que nos apartam
da vida
em nossos
corpos
arfantes
se enrolam
finos
panos
sombrios
água
de conchas
distantes
cegas
areias
do fundo
dos rios
* João Lucas – flautas (sequenciadas) e piano
José Mário Branco – flautas (sequenciadas) e trombone (sintetizador)
José Peixoto – baixo
Adácio Pestana e A. Costa – trompas
Tomás Pimentel e José Carapeto – trompetes
Maria Guinot, Isabel Campelo, Rui Vaz, Gustavo Sequeira e Carlos Salomé – coro
Produção e direcção musical – José Mário Branco
Gravado e misturado no Angel Studio II, Lisboa, de 29 de Outubro a 11 de
Novembro de 1987
Captação de som – José Manuel Fortes, Rui Novais e Jorge Barata, assistidos por
Luís Flores
Misturas – Jorge Barata, José Mário Branco e José Peixoto
Era de Noite e Levaram
Poema: Luís Pignatelli (in “Obra Poética”, Lisboa: &etc, 1999 –
pág. 80)
Música: José Afonso
Intérprete: José Afonso* (in LP “Contos Velhos, Rumos Novos”, Orfeu,
1969, reed. Movieplay, 1987, 1996, Art’Orfeu Media, 2012)
Era de noite e levaram
Era de noite e levaram
Quem nesta cama dormia
Nela dormia, nela dormia
Sua boca amordaçaram
Sua boca amordaçaram
Com panos de seda fria
De seda fria, de seda fria
Era de noite e roubaram
Era de noite e roubaram
O que nesta casa havia
Na casa havia, na casa havia
Só corvos negros ficaram
Só corvos negros ficaram
Dentro da casa vazia
Casa vazia, casa vazia
Rosa branca, rosa fria
Rosa branca, rosa fria
Na boca da madrugada
Da madrugada, da madrugada
Hei-de plantar-te um dia
Hei-de plantar-te um dia
Sobre o meu peito queimada
Na madrugada, na madrugada
* Rui Pato – viola
Luís Filipe Sousa Colaço – 2.ª viola e reco-reco
Gravado nos Estúdios Polysom, Lisboa, em 1969
Técnico de som – Moreno Pinto