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EDITORIAL – FALEMOS DE PINTURA

Imagem2No filme Makinavaja, el último chorizo, realizado em 1992 por Carlos Suarez, um bando de pequenos meliantes, um pouco no estilo do assalto ao Museu da Gulbenkian que Mário Zambujal conta na sua Crónica dos Bons Malandros, assalta o Museu da Fundação Miró e rouba uma série de quadros  do grande pintor catalão.  “Chorizo”, em argot espanhol, significa “pequeno ladrão”. O assalto corre bem, mas, os ladrõezecos, mais habituados a pequenos furtos, ao apreciarem os quadros entendem que «aquilo» não vale nada e desfazem-se das obras avaliadas em muitos milhões, pondo-as num contentor de lixo.

 O governo de Portugal é constituído por um bando de maus malandros, uns rapazes e raparigas que, com assertividade, estupidez e falta de vergonha, estão a tomar medidas que outros meliantes que os precederam tiveram vergonha de assumir. É o tipo de coragem que, quem está no poder e despreza ninharias como sendo a Lei Fundamental, pode ostentar. Mussolini, Salazar, Hitler, Franco (e não só…), foram «muito corajosos». Entre nós, este tipo de “coragem”, tem vindo a aumentar, sobretudo depois dos dez anos – de 1985 a 1995 –  em que Cavaco Silva foi primeiro-ministro. Governos dos dois partidos que se alternaram no poder, aproveitaram as sementes de corrupção que Cavaco plantou e, um após outro, foram pondo o país na bancarrota.

Estes chorizos, que não serão os últimos, são um pouco mais sofisticados que os ratoneiros do filme de Carlos Suarez – não põem os 85 Mirós que são propriedade da República e dos cidadãos  no contentor do lixo – vendem-nos. Se não fazemos nada, corajosos e assertivos como são, quando formos pelo Museu de Arte Antiga já ele terá sido vendido – e teremos de ir a Berlim, a Londres ou a Nova Iorque se quisermos ver os Painéis de São Vicente.

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