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CONTOS & CRÓNICA – “Sonho n° 7 ou…” – por Sílvio Castro

Tudo ocorre como num sonho, mas de claras realidades.      
Os sonhos criam signos que aparecem e desaparecem como o agir de uma sintaxe – narração fugaz – que, mais além do formal, se estrutura no sentido da lógica absoluta, resultante da própria síntese visiva. Mas são formas visivas que estabelecem um diálogo não com o receptor, mas entre elas. O receptor é quase somente um espectador autoconvidado e que luta para não ficar fora do discurso que desafia a sua pessoal lógica formal. Os signos visivos oníricos são elementos que se esclarecem e se obscuram em movimentos simultâneos e no definitivo desafio ao espectador não convidado. A este resta somente a força de atenção indormida que está por detrás do sono que teima em distanciá-lo definitivamente dos signos e de suas correspondentes alógicas revelações. No final o conto é a quase desesperada experiência do espectador indormido, qual o nadador sem perícia que escapa ao afogamento-

                caminhando  caminhando  ele vê um cachorro detrás da cerca baixa que late  Late com maldade  ferocidade  ? Que cachorro feroz é este

                o cachorro feroz salta a cerca corre  corre para a rua estrada caminho  Ele pega num pau e corre para o cachorro  Depois pára  Depois volta a caminhar  o olhar sempre para trás  contra o cachorro  O cachorro volta atrás

                agora ele está diante de uma grande serraria ? ou não será uma tipografia ou mesmo uma fábrica  ? Será o quê?

                subindo uma escada para seguir sair  passa um viado vestido de pierrot para o carnaval que já passou  joga no chão um dinheirão para gritar depois fingindo que você queria pisar o dinheiro como

                que distraído para apanhar depois  !! Brincalhão e carnavalesco esse viado  Se volta violento e espantado contra o pierrot do carnaval passado  descer a escada e retornar olhando o tipo que ali está a fixar-lhe

                uma bonita moça lhe chama a atenção para pacificar

                descendo na antiga estrada agora é a mesma tipografia ou serraria ou fábrica  Em meio às máquinas olha vê volta-se passa diante do homem  e do outro  e do outro

                agora subindo a escada no grande corredor de um hospital se encontra  Um médico e uma enfermeira  ? Por onde se sai  Por ali

                não é um hospital é um hospício  Passando pelo corredor  voltando-se passa em meio aos loucos ! Pela direita  maluco  Agora toca a você  bichinha vem  te vou enrabar com esse belo caralhão

                passando em meio aos loucos no corredor eles esperam porque um quase ator se está negando  retraindo-se  ? Mas quem é esse  como pode ser mais que a feiura tão feia feiura

                passa

                uma vaia prolongada parte em meio aos loucos  submergendo o ator que se nega 

 

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