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POESIA AO AMANHECER – 411- por Manuel Simões

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                          JUDITE JORGE

                                        ( 1965 )

            (HOMENAGEM 2)

 

            mornez, doçura e contentamento de que de repente o

            corpo se preenche. inviolável silêncio, insustentável

            memória de outro tempo e sempre este, ido e

            regressado, intraduzível presença, e me arrebatas sem

            recurso como se me fizesses tua ou em mim mesma tu

            te transmutasses.

 

            essa sempre nova lareira dos teus braços, percurso

            dos dedos que conhecemos de cor, e o caminho

            retomamos como se pela primeira vez o fizéssemos

            indizível descanso, este possuir o mundo entre quatro

            paredes de esquinas quatro que conduzem à ternura.

 

            absoluto e raro momento dos deuses que em nós

            habitam. singular sítio de encontro. mornez, doçura e

            contentamento de que de repente o corpo se

            preenche.

 

            (da antologia “Nove Rumores do Mar”)

Poetisa e novelista. Obra poética: “Ainda Não o Silêncio” (1993), “Setembro e Outras Estações” (1994). Incluída em “Os nove rumores do mar – Antologia da Poesia Açoriana Contemporânea” (1996).

 

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