
JUDITE JORGE
( 1965 )
(HOMENAGEM 2)
mornez, doçura e contentamento de que de repente o
corpo se preenche. inviolável silêncio, insustentável
memória de outro tempo e sempre este, ido e
regressado, intraduzível presença, e me arrebatas sem
recurso como se me fizesses tua ou em mim mesma tu
te transmutasses.
essa sempre nova lareira dos teus braços, percurso
dos dedos que conhecemos de cor, e o caminho
retomamos como se pela primeira vez o fizéssemos
indizível descanso, este possuir o mundo entre quatro
paredes de esquinas quatro que conduzem à ternura.
absoluto e raro momento dos deuses que em nós
habitam. singular sítio de encontro. mornez, doçura e
contentamento de que de repente o corpo se
preenche.
(da antologia “Nove Rumores do Mar”)
Poetisa e novelista. Obra poética: “Ainda Não o Silêncio” (1993), “Setembro e Outras Estações” (1994). Incluída em “Os nove rumores do mar – Antologia da Poesia Açoriana Contemporânea” (1996).
