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ALÍPIO DE FREITAS, NA RESISTÊNCIA À DITADURA BRASILEIRA E NA CANÇÃO DE ZECA AFONSO por Clara Castilho

 

Já aqui se falou do acontecido no espectáculo “Cantar Grândola 40 anos depois” e dos seus intervenientes portugueses. Momento emocionante foi aquele em que foi cantada a canção de José Afonso, dedicada a Alípio de Freitas, por sua filha Luanda Cozetti.

Alípio de Freitas, com uma longa vida de luta e de solidariedade para com os mais fracos, foi o primeiro presidente da Associação José Afonso. Com debilitado estado de saúde não pode fisicamente estar presente. Mas presente na memória de todos os conheceram, com o seu gentil sorriso, na memória de todos os que ouviram e ouvem a canção do Zeca, na memória de todos os que homenageiam os que resistem às ditaduras.

 Neste dia, 1 de Abril de 1964, em que se deu um golpe militar no Brasil, que instaurou uma longa ditadura, é justo lembrar Alípio de Freitas, que nela  directamente sofreu. Na sequência do golpe pediu asilo político no México, recebeu treino político-militar em Cuba, regressou clandestinamente ao Brasil em 1966. Percorreu o país promovendo o movimento camponês. Foi um dos integrantes e mentores da  Acção Popular. Em 1970, era então dirigente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, foi preso, sujeito à tortura do sono durante 30 dias. Saiu da prisão em 1979 e em 1981 foi viver para Moçambique, num projecto de trabalho com camponeses. Ainda nos anos 80 regressou a Portugal, entrando para a RTP até 1994. Vive ainda em Portugal onde dá aulas livres de Economia Política, é jornalista, apoiante de diversos movimentos sociais e associações cívicas, nomeadamente o Fórum Social Mundial.

Alípio De Freitas

Baía de Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza
Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com campanheira e a filha
Caiu nas garras da CIA
Diz Alípio à nossa gente:
“Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil
Ao lado dos explorados
No combate à opressao
Nao me importa que me matem
Outros amigos virao”
Lá no sertao nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Juliao
Forma as ligas camponesas

Na prisao de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Nao há tortura que o dome
Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou outra terra
Em Santa Cruz há um monstro
(Só nao vê quem nao tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista
Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

 

 

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