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O Abril que ainda ninguém cantou

Canto o Abril que ainda ninguém cantou muito menos protagonizou. O de setenta e quatro já lá vai e foi engodo. Vivemo-lo como festa de liberdade e como Páscoa. Mas tudo não passou de simulação e faz-de-conta para enganar oprimidos e integrar revolucionários com fome de Poder. Hoje é já o Sadismo no seu pior.

Nascemos sob o terror do Templo e do Império. Temos o Medo por mãe e a Mentira por pai. E quando já crescidos saímos por aí a dizer que  não queremos ser mais filhos do Medo e da Mentira ninguém no formigueiro nos toma a sério  e todos à uma meneiam a cabeça e esboçam um sorriso como quem diz Coitado! este já pirou!

Como pode haver Abril e Império e Templo tudo junto? A Luz quando brilha não dissolve  a Treva? A Liberdade quando acontece não dissolve a Alienação? A Maioridade quando se apresenta não dissolve comportamentos infantis? Um Abril que não dissolve o Império nem o Templo é Mentira e Medo à rédea solta.

Conheço um Homem que recusou todo o Poder  e não quis nada com o Dinheiro. Praticou a Verdade em privado e em público e não hesitou em tirar a máscara ao Templo e ao Império. E  quando os dois saíram coligados ao seu encontro para o prender e matar logo ele se lhes adiantou e  disse Eu sou! E ambos caíram por terra dissolvidos.

Bem sei que o Templo e o Império estão de novo aí mais poderosos e cruéis que nunca a fabricar vítimas aos milhões. E assim será enquanto durar a História. Porque a História é sobretudo do Templo e do Império coligados que têm o Medo por mãe e a Mentira por pai. Como acontecer então Abril? Só com homens/mulheres que dêem toda a primazia ao Ser!

Eu disse Ser. Não disse Ter. O Império e o Templo  é que trocam as letras e lá onde está Ser escrevem

Ter e lá onde está Ter escrevem Dinheiro. Não sobra nenhum lugar para o Ser. A menos que haja mulheres  e homens que ousem constituir-se Alternativa viva ao Templo e ao Império. Coisa rara hoje porque o primeiro passo a ser dado é escolher ser pobre!

É este o Abril em que aposto. Pois é o único que jamais deixará de conjugar o verbo Ser e   sempre impedirá que o Ter usurpe a primazia ao Ser. Mas para que este Abril possa crescer na História tem que haver cada vez mais mulheres cada vez mais homens resistentes ao Templo e ao Império e uma só carne com as suas vítimas.

Não chorem mais por Abril de mil nove setenta e quatro que deixou intactos o Templo e o Império e  nos pôs a cantar/dançar nas ruas enquanto aqueles  dois coligados preparavam a institucionalização da democracia do D. Dinheiro que logo se apoderou  das novas tecnologias para melhor matar roubar e destruir. Ousemos ser Abril. O Abril do Ser. Sempre!

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