Por determinismo geográfico-histórico (desculpem se a expressão não vos soa bem) Portugal só tem fronteiras com o reino espanhol (não se deveria chamá-lo o reino castelhano?). Mas na verdade bordejamos a Galiza, Castela-Leão, a Extremadura e a Andaluzia. E todos os portugueses sabem que o seu país se fez resistindo aos ímpetos imperiais de Castela. Esta questão tem estado presente em todos os seus oito séculos de história.
Por isso, na conjuntura que vivemos, assoberbados que estamos com Passos/Portas e com os seus aliados de dentro e de fora, a darem-nos cabo das nossas vidas, temos que ter isto presente mais do que nunca. Ocupados que estamos a resistir (uns mais, outros menos…) a exacções e abusos, temos de continuar a levantar a cabeça, e não nos esquecermos de olhar em volta. O que se passa do outro lado das nossas fronteiras terrestres diz-nos respeito, e muito.
Julio Anguita, ex-coordenador da Izquierda Unida, numa entrevista ao Publico.es, que podem ler nos links abaixo, diz simpatizar com as concentrações que estão a ocorrer em Espanha (e não só), pedindo a realização de um referendo sobre a opção entre a monarquia e a república, mas classifica-as como pitorescas. E pronuncia uma frase que julgamos importante: El movimiento republicano tiene que llegar al acuerdo de qué república quiere, sin mirar permanentemente atrás. Traduzimos por: O movimento republicano tem de chegar a acordo sobre a república que quer, sem estar sempre a olhar para trás. Claro que Anguita está a pensar em muitos assuntos, mas não será ousado da nossa parte inferir que está a pensar fundamentalmente nas autonomias e na independência dos países que estão sob a alçada do reino espanhol. O fim da monarquia e a proclamação da república será um passo importante, que permitirá pensar em mudanças no que hoje é o reino espanhol, mais além do que os cidadãos alcançarem uma maior participação na escolha dos governantes, para estes depois manterem as mesmas políticas do anteriormente. Para isso seria bom que os republicanos se debruçassem sobre o assunto. O fim da monarquia é um objectivo importante em si, mas é preciso ir mais além.