O reino espanhol, aqui ao lado, continua sem governo. O partido mais votado nas últimas eleições, o PP, não consegue formar governo, por muitas razões, com certeza. Mas a principal é que nenhuma outra formação política, mesmo do lado direito do espectro político (perdoem falar caro, mas não quisemos dizer do lado dos direitinhas) parece disposta a fazer aliança com ele. Há quem diga que é por causa dos casos de corrupção que têm sido detectados. Mas entretanto o PSOE também não consegue formar governo, e em que ficamos? Os comentários não faltam, e em baixo apresentamos alguns exemplos. Permitimo-nos uma opinião: se as intervenções dos políticos são de nível deplorável, as dos comentadores são piores ainda. É verdade que no nosso país não estamos muito melhor. Pelo contrário.
Os problemas que têm afectado a casa de Bourbon também não ajudam nada à situação. Veja-se no El País de sábado passado, 27 de Fevereiro, o artigo de primeira página, com o título de maior destaque “Urdangarin declara desconocer cómo funcionaba su empresa”. Os disparates (nós somos realmente brandos, repugna-nos dizer crimes) do cunhado de Filipe VI (é o título oficial do senhor, não é?) merecem claramente um tratamento destacado. O descrédito da monarquia é sem dúvida uma situação que é preciso analisar, e não só aqui ao lado. Contudo, o reino espanhol tem mais problemas, grandes problemas, que as grandes forças políticas e a grande comunicação social, no reino espanhol, na (des)união europeia, e em todo o mundo se recusam a todo o transe analisar. O principal destaque tem de ser dado às autonomias, isto é, aos movimentos que, nas várias nações que integram a chamada Espanha, reclamam a independência em relação a Madrid. Sem pretender diminuir a importância das lutas das classes trabalhadoras no país vizinho, a cegueira e a sobranceria dos poderes que defendem a primazia de Madrid sobre as nações que tem dominado têm sido uma das causas principais do beco sem saída a que está a chegar a vida política da entidade política (que a Espanha, ou o reino espanhol, conforme se queira, forma uma entidade política) que nos rodeia por terra.
Propomos que acedam aos links seguintes, com destaque para o último. Na sua última Carta de Barcelona, o argonauta Josep A. Vidal, dá-nos a sua visão do estado de coisas.
http://www.dn.pt/mundo/interior/beijo-na-boca-de-iglesias-marca-manha-5056626.html
http://politica.elpais.com/politica/2016/03/02/actualidad/1456915704_833357.html
http://politica.elpais.com/politica/2016/03/02/actualidad/1456908593_861149.html?rel=lom

