EDITORIAL –  DIA 26 HÁ ELEIÇÕES NO REINO ESPANHOL

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De hoje a três semanas vamos ter eleições em Espanha, em repetição das efectuadas em Dezembro passado, a partir de cujos resultados nem o PP nem PSOE conseguiram formar governo. Em sequência o rei dissolveu o parlamento, e o povo do reino volta às urnas dia 26 do presente mês de Junho.

As previsões, inicialmente, apontavam para resultados semelhantes aos de Dezembro. Devendo-se ter em conta genericamente que sondagens e outros métodos de auscultação da opinião nem sempre são rigorosos, sucedeu entretanto que se formou uma coligação entre o PODEMOS e Izquierda Unida, com a designação Unidos Podemos, que parece ter introduzido novas expectativas. Neste momento as sondagens indicam que a nova coligação poderá ter intenções de voto superiores em 5 % às do PSOE. A confirmarem-se nas urnas estaríamos perante uma mudança significativa nos cenários possíveis.

Já tem sido referido por diferentes quadrantes que as sondagens não são fiáveis, e que por vezes influenciam a opinião pública de um modo negativo. Contudo não podemos deixar de as levar em conta, com as devidas reservas. Mas há que considerar as circunstâncias em que são efectuadas.  A monarquia espanhola tem atravessado uma crise grande como instituição, que culminou na abdicação do rei anterior. O presente monarca poderá querer marcar presença no processo, até para tentar recuperar o prestígio perdido. Entretanto a questão autonómica mantém-se acesa, e as nações que estão sob a égide do reino, ultimamente sobretudo a Catalunha, fazem movimentações de diversas maneiras. Sem dúvida que o PP, partido conservador, que mantém praticamente as mesmas intenções de voto que em Dezembro passado, chama a si muito do voto centralista e tradicional, apesar de afectado por processos de corrupção, mas beneficiando de uma melhoria nos últimos meses nas estatísticas do desemprego. O mesmo não se pode dizer do PSOE que, embora continue com grandes bases de apoio, paga o preço de não se ter sabido demarcar claramente das políticas de direita.

Para Portugal estas eleições revestem-se de grande importância, como é óbvio. Não parece muito viável que entre os líderes das várias forças partidárias do país vizinho surjam um acordo semelhante ao que levou à constituição do presente governo português. Haverá contudo outras possibilidades. Será de acompanhar com atenção o que vai ocorrendo, até por questões relativas a interesses comuns, desde as ligações com a Europa a norte dos Pirinéus, os transvazes do Tejo, até à desactivação da central nuclear de Almaraz.

Propomos que cliquem nos links seguintes:

http://politica.elpais.com/politica/2016/06/04/actualidad/1465054493_821966.html

http://www.publico.es/politica/unidos-supera-psoe-encuestas.html

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