EDITORIAL –  COLIGAÇÕES DE ESQUERDA VÃO GOVERNAR MADRID E BARCELONA E OUTRAS CIDADES DO REINO ESPANHOL.

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Na sequência das eleições municipais ocorridas no reino espanhol em 24 de Maio, no sábado passado, 13 de Junho, tomaram posse os “concejales” eleitos. Acordos entre o PSOE, PODEMOS, IU e outras forças de esquerda com os candidatos dos movimentos sociais possibilitaram a mudança política num número considerável de cidades. Destacam-se Madrid, Barcelona, Valência e Saragoça, quatro grandes cidades que vão ser governadas pela esquerda alternativa, para usar a expressão de El País, no seu editorial de domingo passado. Este jornal, analisando os discursos de tomada de posse dos novos “alcaldes” daquelas cidades, e também de Cadiz e da Corunha, tenta tirar algumas ilações sobre as novas políticas que propõem: travar os despejos e satisfazer o abastecimento de energia aos lugares com menos recursos, mais austeridade quanto aos salários de “alcaldes” e “concejales”, e defender medidas de redistribuição de riqueza. Não será exagero da parte de quem escreve este editorial afirmar que para além destas medidas (muito justas e importantes) outras mais estarão na mente dos novos eleitos. Os movimentos sociais terão oportunidades, ao que se espera, de pôr em prática as ideias que os têm animado. Será de não as desperdiçarem.

Dever-se-á entretanto ter presente que a perspectiva das eleições legislativas em Novembro próximo pesará com certeza sobre a actuação dos eleitos, talvez mais sobre os ligados aos grandes partidos, PP e PSOE. Uma sondagem de Janeiro último dava o PODEMOS como o partido mais votado, se aquelas eleições fossem naquela altura. É de ter presente que nestas eleições municipais, apesar de grandes perdas, o PP foi a força política mais votada, embora sem maioria absoluta. A inexperiência de muitos eleitos poderá causar problemas, e a direita castelhana (e também de outras nacionalidades) defenderá tenazmente os seus privilégios, apesar do desgaste que lhe tem causado o aparecimento à luz do dia de um número considerável de casos de corrupção. Assinalável é a abertura à esquerda do PSOE, que parece assim querer alterar anteriores modos de actuação e distanciar-se dos outros partidos socialistas europeus. Será para continuar? Ou sol de pouca dura?

http://www.publico.pt/mundo/noticia/independentes-e-forcas-de-esquerda-acabam-com-dominio-do-pp-no-poder-local-1698903

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