Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 102-103; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 115) [tradução livre >> abaixo]
Música: Alfredo Marceneiro (Fado Bailado)
Intérprete: Mísia* (in 2CD “Ruas”: CD “Lisboarium”, AZ/Universal Music France, 2009)
C’est la chanson de ma vie entre soleil et brouillard, entre amour et jalousie, ce vol pur qui déshabille une mouette, un regard,
c’est l’endroit et le revers de l’absence sans retour, c’est la passion, c’est l’enfer d’une attente à bout de nerfs, c’est la mer au point du jour,
c’est le Taje qui murmure des échos des caravelles, c’est ta voix à l’embouchure, l’écume, la déchirure d’un printemps sans hirondelles.
C’est la blancheur, le parfum des vieux quartiers de Lisbonne et la force du destin, l’ivresse de l’incertain dans l’âme qui robinsonne.
[instrumental]
Ma légitime défense mon coeur qui bat en sursaut la mesure de l’absence, l’espoir fou, l’impatience et voilà: c’est le fado…
la mesure de l’absence, l’espoir fou, l’impatience et voilà: c’est mon fado…
* Ângelo Freire – guitarra portuguesa; Carlos Manuel Proença – viola de fado; Daniel Pinto – baixo acústico; Daniel Mille – acordeão; Direcção artística – Mísia; Produção executiva – Flavio D’Ancona; Gravação e mistura – Charles De Schutter (Acousti Studio, Paris / Studio Rec’n Roll, Bruxelas); Masterização – Mike Marsh (The Exchange Mastering)
Fado Inventário
É a canção da minha vida entre o sol e a neblina, entre o amor e o ciúme, este voo puro que desnuda uma gaivota, um olhar,
é o direito e o avesso da ausência sem regresso, é a paixão, é o inferno duma espera nervosa, é o mar da aurora,
é o Tejo que murmura ecos das caravelas, é a tua voz no estuário, a espuma, o rasgão duma primavera sem andorinhas.
É a brancura, o cheiro dos velhos bairros de Lisboa e a força do destino, a embriaguez do incerto na alma que isolada vive.
Minha legítima defesa meu coração que bate em sobressalto a medida da ausência, a esperança insana, a impaciência em suma: é o fado…
a medida da ausência, a esperança insana, a impaciência em suma: é o meu fado…