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Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 15 – por Álvaro José Ferreira

 

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

Fado Inventaire

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 102-103; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 115) [tradução livre >> abaixo]
Música: Alfredo Marceneiro (Fado Bailado)
Intérprete: Mísia* (in 2CD “Ruas”: CD “Lisboarium”, AZ/Universal Music France, 2009)

C’est la chanson de ma vie
entre soleil et brouillard,
entre amour et jalousie,
ce vol pur qui déshabille
une mouette, un regard,

c’est l’endroit et le revers
de l’absence sans retour,
c’est la passion, c’est l’enfer
d’une attente à bout de nerfs,
c’est la mer au point du jour,

c’est le Taje qui murmure
des échos des caravelles,
c’est ta voix à l’embouchure,
l’écume, la déchirure
d’un printemps sans hirondelles.

C’est la blancheur, le parfum
des vieux quartiers de Lisbonne
et la force du destin,
l’ivresse de l’incertain
dans l’âme qui robinsonne.

[instrumental]

Ma légitime défense
mon coeur qui bat en sursaut
la mesure de l’absence,
l’espoir fou, l’impatience
et voilà: c’est le fado…

la mesure de l’absence,
l’espoir fou, l’impatience
et voilà: c’est mon fado…

* Ângelo Freire – guitarra portuguesa;  Carlos Manuel Proença – viola de fado;  Daniel Pinto – baixo acústico;  Daniel Mille – acordeão;  Direcção artística – Mísia;  Produção executiva – Flavio D’Ancona;  Gravação e mistura – Charles De Schutter (Acousti Studio, Paris / Studio Rec’n Roll, Bruxelas);  Masterização – Mike Marsh (The Exchange Mastering)

Fado Inventário

É a canção da minha vida
entre o sol e a neblina,
entre o amor e o ciúme,
este voo puro que desnuda
uma gaivota, um olhar,

é o direito e o avesso
da ausência sem regresso,
é a paixão, é o inferno
duma espera nervosa,
é o mar da aurora,

é o Tejo que murmura
ecos das caravelas,
é a tua voz no estuário,
a espuma, o rasgão
duma primavera sem andorinhas.

É a brancura, o cheiro
dos velhos bairros de Lisboa
e a força do destino,
a embriaguez do incerto
na alma que isolada vive.

Minha legítima defesa
meu coração que bate em sobressalto
a medida da ausência,
a esperança insana, a impaciência
em suma: é o fado…

a medida da ausência,
a esperança insana, a impaciência
em suma: é o meu fado…

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