Hoje e amanhã o Conselho Europeu vai estar reunido. O prato principal da reunião vai ser a escolha do novo Presidente da Comissão Europeia, portanto do sucessor de Durão Barroso. Parece que o principal favorito é o luxemburguês Jean-Claude Juncker, um adepto do reforço da integração europeia, e que é indicado pelo PPE – Partido Popular Europeu, que foi o mais votado nas recentes eleições para o Parlamento Europeu. Isto apesar de uma perda significativo de votos em relação a eleições anteriores.
No Conselho Europeu, pelo menos até à data, apenas o Reino Unido se opôs a esta nomeação. A Grã-Bretanha, como é geralmente sabido (mas poucas vezes admitido), entrou para a União Europeia (na altura, ainda Comunidade Europeia), apenas por cálculo, e não vê com bons olhos os avanços na integração europeia, principalmente os que eventualmente possam vir a pôr em risco os privilégios da City, o centro da sua gigantesca indústria financeira. Sempre protestou contra os apoios aos agricultores franceses e alemães, tendo, em anos passados, negociando a partir de posições fortes, obtido concessões importantes, que, inclusive, contribuíram bastante para reforçar a posição dos governos da altura junto ao eleitorado. Neste momento, a integração bancária, tida como o próximo passo a dar em termos de integração europeia, mexe muito concretamente com o cerno do problema.
Alguns acusam David Cameron de ter manobrado inabilmente neste processo. Será assim? A imprensa, geralmente favorável à presença do Reino Unido na União Europeia censura as suas opções. Contudo, há vantagem em analisar a sua posição de um ponto de vista mais amplo. O partido conservador britânico sabe que, com o avanço do UKIP, partido declaradamente anti-europeu, e a eventual ocorrência de uma vitória dos partidários da independência da Escócia, no referendo a realizar em Setembro, vai ficar numa posição muito fraca perante o eleitorado. Portanto, Cameron está a jogar forte. Pelo menos espera obter compensações que permitam compensar o dissabor de ver Juncker à frente da Comissão Europeia. Em 2011, quando votou contra o pacto orçamental, não conseguiu impedir que ele avançasse, é verdade. Mas também não o está a cumprir. Por outro lado, é sabido que ele não é propriamente um europeísta. Sobre este assunto propomos as leituras abaixo, de dois jornais com pontos de vista diferentes:
http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/jun/25/guardian-view-cameron-friendless-fight-juncker


