EDITORIAL –  A EUROPA E A UNIÃO EUROPEIA

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A Europa e a UE serão duas coisas diferentes? Claro que são. Esta questão que hoje pomos à discussão é cada vez mais pertinente. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso compreende que o continente europeu inclui uma série de nações com histórias e interesses muito diferentes, com visões diferentes do mundo, mas que mesmo assim a geografia e a história impõem a essas nações que procurem pontos de encontro e a tomada de medidas em comum para acabar com as guerras incessantes que travaram entre si ao longo dos séculos mais recentes, em que acabaram por envolver o resto do mundo, e que consigam criar laços entre si para enfrentarem os desafios que vêm de outras partes do mundo.

Dirão alguns: mas e a UE? Não foi para isso que foi criada? A nossa resposta é: talvez tenha sido assim na cabeça de alguns, mas na prática não foi isso que aconteceu. É extensa a literatura a esse respeito, e neste momento não nos vamos debruçar aprofundadamente sobre o assunto. Diremos somente que achamos que a Europa e a EU são efectivamente coisas diferentes, e que a UE está a contribuir poderosamente para agravar as diferenças existentes entre as nações europeias, e não para as unir. Mais: as posições tomadas pelas instituições europeias, com a chamada comissão europeia à cabeça têm contribuído gravosamente para agravar a divisão europeia. O caso das sanções por défices excessivos, que esta semana tem estado na baila, é um exemplo. Sabe-se que as nações mais ricas da Europa, com a Alemanha à cabeça, beneficiaram de grandes défices orçamentais em períodos recentes, o que lhes permitiu ganhar posições muito vantajosas, muito competitivas em relação aos seus parceiros da zona euro. Ultimamente, sobretudo depois da crise financeira de 2008, as nações mais ricas, sempre com a Alemanha à cabeça, têm-se esforçado para negar aos seus parceiros, nomeadamente aos chamados países periféricos, essas vantagens em termos de saldos orçamentais que eventualmente poderiam permitir grandes investimentos públicos.

As sanções ainda há dias exigidas pelo PPE, que forma o maior grupo no parlamento europeu, pelo défice das contas portuguesas de 2015, um ano em que o poder em Portugal foi exercido em quase toda a sua duração por uma coligação com posições próximas das suas, são sintomáticas da enorme distância entre os “cumes” formadas nas instituições europeias e os eleitores e a população. Claro que farão um esforço para passar as responsabilidades para o actual governo, que parece não pertencer às mesmas águas. O adiamento de resoluções sobre o assunto para Julho, obviamente por receio ao que poderá acontecer no próximo mês de Junho com o referendo no Reino Unido sobre o Brexit e nas eleições no reino espanhol, apenas vem confirmar a distância que aumenta entre as instituições ditas europeias, as grandes estruturas partidárias e os cidadãos europeus.

Entretanto, no meio destas águas turvas, surge um episódio que merece algum interesse e talvez também um sorriso. Parece que Isabel II, rainha de Inglaterra e de uma série de outros países (por favor, vão à Wikipedia para ver quais são) é favorável ao Brexit. Recomendamos que cliquem nos dois links abaixo:

http://www.lemonde.fr/europe/article/2016/05/18/the-sun-epingle-pour-sa-une-sur-elizabeth-ii-qui-soutiendrait-un-brexit_4921572_3214.html

http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/news/sun_says/6500866/Sun-Says.html

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