EDITORIAL – O ARCO EUROPEU, UM NOVO CONCEITO POLÍTICO

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Paulo Portas, na televisão, voltou a referir-se aos partidos que, segundo ele, não pertencem ao arco europeu, e que, (subentende-se) por isso não deveriam fazer parte do governo. Pelo menos propõe que a formação do novo governo seja feita a partir de um acordo entre os partidos que integram o tal arco europeu. Ele referia-se obviamente ao PCP, PEV e BE como estando fora deste. Já tinha usado antes a expressão, como podem confirmar acedendo ao link abaixo. Assim cola aos partidos em questão uma postura de antieuropeísmo, e lança sobre eles a dúvida sobre se quererão permanecer na União Europeia. Deste modo, num país envolvido num processo de integração europeia, mesmo tendo em conta as dúvidas que se adensam sobre esta, pondo-a mesmo em causa no espírito de muitos europeístas convictos, lança-se a dúvida sobre se estes partidos terão a necessária legitimidade e coerência para pertencer ao governo desse país.

Conceitos parecidos, como o do arco da governabilidade, do partido das causas fracturantes, ou do partido de protesto, têm sido utilizados com alguma frequência. Servem para inculcar nos espíritos ideias sobre partidos, forças políticas e até individualidades, de modo a que se acredite que eles não estão aptos a desempenhar funções de poder. Ou mesmo que apenas querem aparecer na política, sem terem interesse por as assumir plenamente. Deste modo, usando expressões que não parecem ser particularmente agressivas, mas que se insinuam nos espíritos, e que são de difícil explicação, na medida em que isso requer tempo de que a maioria das pessoas não dispõe, consegue-se divulgar a convicção de que há votos que não vale a pena, e reduzir o leque de escolha do eleitor desejoso de votar bem.

O conceito de arco europeu tem o peso especial derivado do processo da integração. As críticas às instituições europeias e aos processos de integração são mal recebidas em Bruxelas e em Berlim. Há muita gente que tem beneficiado com a criação e o crescimento  da União Europeia, como tem sido amplamente divulgado. E classificar um partido como estando fora do tal arco europeu é uma maneira de chamar a atenção sobre ele. Melhor dito, contra ele, os seus membros e as populações que os apoiam. Vejam o caso do Syriza. Que se diz pró-europeu e desejoso de continuar no euro.

http://www.sol.pt/noticia/36359

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