E ASSIM EM NÍNIVE, de EZRA POUND – tradução de AUGUSTO DE CAMPOS
joaompmachado
1885 – 1972
E ASSIM EM NÍNIVE, por EZRA POUND
“Sim! Sou um poeta e sobre minha tumba Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas E os homens, mirto, antes que a noite Degole o dia com a espada escura.
“Veja! não cabe a mim Nem a ti objectar, Pois o costume é antigo E aqui em Nínive já observei Mais de um cantor passar e ir habitar O horto sombrio onde ninguém perturba Seu sono ou canto. E mais de um cantou suas canções Com mais arte e mais alma do que eu; E mais de um agora ultrapassa Com seu laurel de flores Minha beleza combalida pelas ondas, Mas eu sou poeta e sobre minha tumba Todos os homens hão de espalhar pétalas de rosas Antes que a noite mate a luz Com sua espada azul.
“Não é, Ruana, que eu soe mais alto Ou mais doce que os outros. É que eu Sou um Poeta, e bebo vida Como os homens menores bebem vinho.”