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CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – “POR CAUSA DE UM TERRÍVEL REGIME ATEU” – por Mário de Oliveira

quotidiano1

Ecclesia, a agência de notícias dos bispos portugueses, titula, assim, a sua reportagem de ontem sobre a catequese do papa às quartas-feiras: “Vaticano: Papa apresenta visita à Albânia como homenagem a vítimas de «terrível regime ateu».” Mas as palavras textuais do papa são bem mais contundentes: “Decidi visitar este país, porque sofreu muito por causa de um terrível regime ateu”. Onde a agência escreve “vítimas”, o papa diz “país”. Concretamente, a Albânia. A visita, é já no próximo domingo. Com a pompa e a circunstância que Sua Santidade o papa merece e a condição de chefe de estado do Vaticano exige, impõe. Tudo, por isso, nos antípodas da postura de clandestinidade que Jesus Nazaré conhece/pratica, no decurso da sua arriscadíssima missão política de Evangelizar os povos, a partir dos últimos, nunca das cúpulas. De tal maneira que Jesus só pôde ser preso, julgado, condenado à morte e executado na cruz pelos sumos-sacerdotes/império de Roma, a mesma cidade onde está implantado o estado do Vaticano, porque todo o grupo dos Doze que anda com ele, com Simão Pedro, a abrir, Judas Iscariotes, a fechar, o traiu/entregou ao pleno dos três poderes de então. Será, pois, preciso que os “ateus” dos países onde os terríveis regimes deístas cristãos católicos romanos e protestantes, judeus, muçulmanos e outros se instalaram, como outras tantas legiões de demónios, lembrem agora ao papa e seus sucessores todos os horrores que eles sempre cometeram, continuam a cometer, enquanto existirem, para que também ele e todos os que se dizem crentes, muden de ser e de Deus. É manifesto – pelos frutos se conhece – que a fé religiosa é uma fé deísta. Crê/pratica um Deus que fundamenta a existência do pleno dos três poderes e justifica todos os seus crimes. É infantil e infantilizadora, inimiga da Fé política de Jesus, que crê/pratica Deus que nunca ninguém viu/conhece, nos habita/potencia, de dentro para fora, até sermos plena e integralmente humanos, religados ao modo dos vasos comunicantes, protagonistas da história. Sempre com Deus, mas sem Deus!

18 Set.º 2014

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