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REFLEXÃO – 8 – por Adão Cruz

Não o faço, mas apetecia-me fazê-lo. No entanto, a minha formação médica, a minha formação ética e humana não o permitem. Eu explico:

Tenho muitos doentes e muitas doentes, presumivelmente votantes do PSD e do CDS-PP (até me arrepia escrever estas siglas!), que vêm ter comigo, pedindo-me para eu meter uma “cunha” aos meus colegas e amigos cirurgiões cardíacos, no sentido de anteciparem uma determinada intervenção que se arrasta durante largos meses. Claro que me apetecia dizer a esses pacientes que eles têm o que merecem, e que eu em nada meterei prego nem estopa.

Não o faço, mas apetecia-me fazê-lo, isto é, dizer-lhes para irem ter com Passos e Portas, os lacaios responsáveis pela destruição do Serviço Nacional de Saúde que aqui há uns anos atrás, apesar de muitas carências, funcionava a um dos melhores níveis do mundo. Eu não tinha qualquer dificuldade em operar um doente ao coração.

Não o faço. Mas apetecia-me dizer-lhes que, se não suportam a ideia de serem operados “ao coração” na privada, isto é, fora do Hospital Central, idóneo e reconhecidamente mais competente e seguro, não votem na “direita”, empenhada em destruir um SNS reconhecido como um dos melhores do mundo, para encherem os bolsos dos garimpeiros da saúde.

Não o faço, mas apetecia-me fazê-lo. Aguentem as consequências de votarem nos partidos de direita. Aprendam, se mais não for, à custa dos erros.

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