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EDITORIAL – UM “EXÉRCITO” DE INDIGNADOS QUE O NÃO É

Anteontem foi dia de se falar da pobreza. Os dados do Instituto Nacional de logo editorialEstatística, sobre o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2013, sobre rendimentos de 2012, apontam para que 18,7% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2012, o valor mais elevado no período iniciado em 2009 (entre 2009 e 2011 o risco de pobreza afetava, em média, cerca de 17,9% da população residente).

As crianças foram as mais afetadas pelo aumento da pobreza ou exclusão social, com mais 3,8 pontos percentuais entre 2012 e 2013. Nesse ano, acentuou-se sobretudo a tendência de crescimento do risco de pobreza para os menores de 18 anos (24,4%, valor superior em 2,6 p.p. ao verificado em 2011).

Com isto está relacionado a diminuição dos apoios às crianças e às famílias, que tem vindo a registar-se nestes anos de crise.

Aparecem três cenários: as que estão em risco de pobreza, as que se encontram em situação de privação material severa e as que vivem em agregados com intensidade laboral per capita muito reduzida. De um número de 25,3% da população em 2010 e em 2012, temos agora 27,4% da população em 2013.

Encontra-se ainda, como será natural, uma relação entre o nível de escolaridade completado pelos pais e o risco de pobreza das crianças: diminuiu com o aumento do nível de escolaridade completado pelos pais.

Uma outra notícia veio surpreender: entre os 86 funerais de pessoas não identificadas, realizados pela Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, encontravam-se seis crianças, entregues pelo Instituto de Medicina Legal ou pelos hospitais, sendo normalmente abandonadas pelos seus responsáveis, encontradas em sacos de plástico ou em caixotes do lixo.

Se pensarmos em todo o restante cenário: as tristes cenas da não governação do Ministério da Educação e do da Justiça, o mísero aumento de 70 cêntimos por dia, nas reformas, os bancos falidos que iremos ter que pagar, encontramos todo um número de cidadãos que deveriam ser um exército de “indignados”.

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