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OS MEUS DOMINGOS – AQUELE HOMEM… – por ANDRÉ BRUN

(1881 - 1926)

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1881 – 1926

 

V

O pior, para quem tenha o feitio do nosso procurador, é que, às vezes, há madamas que nos calçariam na ocasião como uma luva, mas que não estão dispostas a prestar-se a experiências e a provas.  E daí resultam excitações que ora se manifestam por um simples livro de versos, ora se afogam numa série de camoecas, ora, ainda, inspiram gestos violentos de tragédia.

Quando V. Ex. as lerem num jornal que um cavalheiro retalhou à navalha uma indivídua das suas relações ou se atirou dum quinto andar abaixo, não se assustem que não é coisa de cuidado. É simplesmente isto: uma mulher não estava disposta em certo momento a deixar verificar por um cavalheiro se era ou não a alma gémea do mesmo, o cavalheiro tinha um instrumento perfurante à mão ou um quinto andar ao pé… E pronto.

 

25 de Março de 1923

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