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EDITORIAL – VIVA O CHEFE!

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A política em Portugal vive num estado permanente de crise. Pelo menos quem ler os jornais, ou veja a televisão todos os dias, fica com essa impressão. Numa segunda análise, procurará discernir o que é fruto do sensacionalismo, que faz empolar certas questões, do que será realmente substancial. Aí, o observador começa a encontrar dificuldades. Uma das maiores, senão a maior, é encontrar elementos concretos que ajudem a compreender as grandes questões que estão na base dos problemas do país. Veja-se o caso das auto-estradas, entregues a empresas que recebem uma renda bastante elevada para assegurarem a sua exploração, apesar de um certo número delas ter um trânsito muito reduzido. Uma informação detalhada sobre a maneira como todo o processo foi conduzido, sobre como foi decidido construir esta ou aquela auto-estrada, porque se resolveu entregar a exploração a uma empresa e não ser o estado a administrá-la, ajudaria a melhor compreender  e mesmo a prevenir as situações que hoje se verifiquem. Mas essa informação detalhada não se encontra frequentemente na comunicação social portuguesa.

A comunicação social portuguesa, e não só a portuguesa, é preciso reconhecê-lo, dá particular ênfase aos duelos pessoais na política. É óbvio que o sistema eleitoral dominante está vocacionado para este tipo de confrontos, que aliás propiciam espectáculos muito mais interessantes e sensacionais. Discorrer num artigo de jornal, ou, num programa de televisão, procurar mostrar todos os ângulos de um projecto importante para o país, é muito mais complicado do que fazer uma entrevista ou apresentar um debate entre dois ou três candidatos. Mas daqui resulta que a política passa a ser dominada por indivíduos hábeis (ou pior do que isso…) e bem preparados para confrontos, e não por quem conheça bem os dossiers, e queira seguir as melhores opções para o país e os seus habitantes.

 

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