A política em Portugal vive num estado permanente de crise. Pelo menos quem ler os jornais, ou veja a televisão todos os dias, fica com essa impressão. Numa segunda análise, procurará discernir o que é fruto do sensacionalismo, que faz empolar certas questões, do que será realmente substancial. Aí, o observador começa a encontrar dificuldades. Uma das maiores, senão a maior, é encontrar elementos concretos que ajudem a compreender as grandes questões que estão na base dos problemas do país. Veja-se o caso das auto-estradas, entregues a empresas que recebem uma renda bastante elevada para assegurarem a sua exploração, apesar de um certo número delas ter um trânsito muito reduzido. Uma informação detalhada sobre a maneira como todo o processo foi conduzido, sobre como foi decidido construir esta ou aquela auto-estrada, porque se resolveu entregar a exploração a uma empresa e não ser o estado a administrá-la, ajudaria a melhor compreender e mesmo a prevenir as situações que hoje se verifiquem. Mas essa informação detalhada não se encontra frequentemente na comunicação social portuguesa.
A comunicação social portuguesa, e não só a portuguesa, é preciso reconhecê-lo, dá particular ênfase aos duelos pessoais na política. É óbvio que o sistema eleitoral dominante está vocacionado para este tipo de confrontos, que aliás propiciam espectáculos muito mais interessantes e sensacionais. Discorrer num artigo de jornal, ou, num programa de televisão, procurar mostrar todos os ângulos de um projecto importante para o país, é muito mais complicado do que fazer uma entrevista ou apresentar um debate entre dois ou três candidatos. Mas daqui resulta que a política passa a ser dominada por indivíduos hábeis (ou pior do que isso…) e bem preparados para confrontos, e não por quem conheça bem os dossiers, e queira seguir as melhores opções para o país e os seus habitantes.


Não podias ter mais razão!
Aquilo a que tenho vindo a assistir, a propósito do “caso José Sócrates” (por quem, como é fácil perceber, não tenho a mínima afeição) é vergonhoso, como espectáculo de incompetência jornalística, ignorância, manipulação, defesa da “irresponsabilidade criminal” do jornalista na constante (mais uma vez) violação do segredo de justiça, em nome de um “direito à informação” que as chusmas de idiotas agora bolsadas em catadupa por um arremedo de “curso superior de comunicação social” são incapazes de interpretar, pelo que o que defendem não passa, em geral, de um abuso desse direito, que deveria ser punido, mas não é, pois, também aí, a justiça não funciona.
Acabo de assistir (até a minha paciência se esgotar) a parte de um pseudo-debate, na RTP Informação, em que a incompetente “pivô” foi incapaz de pôr no seu lugar (valha a verdade que nenhum dos presentes – outro jornalista, um advogado e dois deputados, um do PSD, outro do PS – foi capaz de o fazer) a grande sacerdotisa da manipulação, Manuela Moura Guedes, que este SP, que nunca terá descido tão baixo, anda agora a promover a sua “comentadora”: a mulherzinha fez acusações a JS, recorrendo a casos “investigados” por ela e a sua quadrilha, quando pontificavam na TVI, e que nunca foram provados (bem ou mal, mas se isto é um Estado de Direito, a criatura está legalmente impedida de o fazer); e atribuiu, publicamente, ao ex-Procurador Geral Pinto Monteiro o encobrimento das acusações contra o então PM, impedindo que fossem investigadas, razão única, segundo ela, de só agora o “delinquente” – que a bruxa mediática já julgou e condenou, à revelia do sistema de justiça vigente – ter sido preso! Espero que Pinto Monteiro lhe ponha um processo, convidando a comadre de pátio televisivo a provar as acusações que lhe fez. Aliás, não sei se esta actuação não configura um crime público que a própria Procuradoria deveria investigar… Claro que a orgia de desinformação e desrespeito pela deontologia profissional e o direito alastraram a todos os “media” com que contactei nestes dias. Mas que o SP enverede alegremente por aí, se não me espanta, pois o actual governo reduziu-o à quase inexistência e povoou-o de chefias de que outra atitude não se espera, é inadmissível em Democracia. Só não me envergonha porque o que existe actualmente não tem nada a ver com aquele em que trabalhei, a cujo Conselho de Opinião (hoje absolutamente inócuo) pertenci e que chegou a atingir, mesmo após a junção idiota da RDP com a RTP pelo governo Durão Barroso e apesar das intromissões políticas sempre tentadas, um nível de dignidade assinalável.