Temos, por diversas vezes, colocado a questão da deontologia profissional que deve reger a actividade jornalística e não iremos hoje reproduzir aqui argumentos que nos parecem desnecessários, nem transcrever artigos do código deontológico a que os profissionais da informação estão vinculados.
Relativamente à operação «Marquês», não temos emitido opiniões, já que o assunto está por demais debatido e não nos parece que, seja qual for o desfecho das investigações em curso, o tema da corrupção fique resolvido. Ángeles Diez, uma professora e politóloga espanhola defendeu a ideia de que as grandes corporações mediáticas dos nossos dias, não só estão ao serviço do poder – são o poder. Noam Chomsky denunciou, por seu turno, as técnicas de manipulação que os «órgãos de informação» desenvolvem na sua acção deletéria de desinformar.
Registamos, no entanto, a má preparação revelada pelos jornalistas dotados ou não de diplomas em «comunicação social», evidenciando primarismo de recursos e falta de cultura – quanto ao respeito pelos princípios éticos que regem a profissão, nem merece a pena falar.
Como dissemos, não temos querido falar sobre a detenção de José Sócrates. Como quem nos visita sabe, nunca fomos defensores da sua acção como governante. No entanto, neste caso, os jornalistas estão a comportar-se como animais necrófagos – chacais, abutres, hienas. Tal como noutros casos se comportam como animais cegos, toupeiras ou peixes de insondáveis profundidades. Os do grupo dos ciclóstomos, por exemplo que, sem bexiga natatória e sem mandíbulas, mantêm a boca permanentemente aberta…
As reportagens quase transformam Sócrates numa vítima. Proeza difícil, mas que a desonestidade reinante na chamada comunicação social está a conseguir.