EDITORIAL – O caos é uma ordem que não conhecemos

Imagem2Não vamos entrar nos esconsos corredores da «Operação Labirinto» que está a desmontar um esquema de corrupção que, ao contrário do que a Procuradoria Geral da República afirmou, parece envolver pessoas ligadas ao actual executivo. Esperaremos pelo desenvolvimento da investigação para comentar este caso que, segundo tudo indica, ainda nos reserva surpresas. Se ainda formos capazes de nos surpreender…

O que desde já nos surpreende é o à vontade com que a nova geração de políticos viola de maneira grosseira a deontologia que obriga a que os servidores da República se mantenham afastados das tentações que o exercício do poder provoca. Já o temos dito – há cem anos, a simples suspeita de envolvimento em negociatas, venda de segredos do Estado, em suma, a suspeita de desonestidade, provocou suicídios. Culpados ou inocentes, os homens políticos de então não conseguiam conviver com a «desonra».

Este executivo do PSD/CDS, tal como outros do PS, usa um código deontológico baseado no aforismo – «ladrão é o tipo que corre menos do que o polícia». Crime é não saber encobrir falcatruas, pois cometê-las é um acto de esperteza. Este princípio parece nortear grande maioria da classe política. E os cidadãos eleitores, como reagem a estas revelações?

As mentalidades parecem ter vindo a adaptar-se a esta «nova ordem» que, para as mentalidades «antiquadas» constitui o caos. O grande matemático Poincaré dizia: “O caos é uma ordem que não conhecemos”. No plano nacional, tal como no internacional, a nova ordem, a nova deontologia e o novo conceito de honra vão-se instalando. Conceitos como os de ética, honra, honestidade, passam a fazer parte do vocabulário da Arqueologia.

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