A obra de arte, para além do seu papel de imagem, possui uma função simbólica cuja inteligibilidade requer um certo saber subjacente, alguma elaboração do sentimento artístico como expressão de uma certa especificidade cultural. O quadro encerra uma multiplicidade de sentidos cuja maior ou menor apreensão depende da formação do criador e do observador, bem como da informação armazenada na memória. A obra de arte participa de uma forma de comunicação em que a individualidade do criador e do contemplador se conjugam, ocupando um lugar central. Assim, a contemplação de uma pintura mobiliza o mais elevado grau da hierarquia cerebral, dado que na essência da harmonia estética, já ninguém duvida que está o equilíbrio entre a razão, o pensamento e uma forma especial de sensualidade.
