Site icon A Viagem dos Argonautas

CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – E JÁ SEM EMENDA! – por Mário de Oliveira

quotidiano1

 

Já nem sei o que mais chorar: se as vítimas do massacre de Paris, se o comportamento medonhamente assustador de franceses, europeus, ocidentais, perante o massacre que atingiu o coração da Humanidade, do Cosmos. Fica bem claro que nos temos como os únicos cidadãos no mundo. Todos os não-europeus são bárbaros, a milhas de distância de nós. Este sentimento de orgulho é, porventura, muito mais inumano que o próprio massacre. Se há coisa que mais nos destrói por dentro, é o orgulho. Olhar os povos não-europeus, como servos, escravos nossos. É assim, desde a Roma imperial. Agudizou-se, a partir do século IV, com a entrada em cena, pela mão de Constantino e seus sucessores, os papas de Roma, do judeo-cristianismo, como a única religião verdadeira. Entranhou-se, depois, em nós com o aparecimento dos reis cristãos, coroados pelo papa, na condição de serem os braços armados dele. Primeiro, nas guerras contra os “infiéis”, entenda-se, não-cristãos, não-europeus/ocidentais. Consolidou-se com as chamadas “descobertas e conquistas”. Quem não fosse baptizado, simplesmente, não era. Apenas besta de carga, sem alma! Chegados ao terceiro milénio, somos os mais mentirosos e os mais mafiosos do mundo. Mas somos europeus/ ocidentais, judeo-cristãos, muito acima dos seguidores de outras religiões, de outros deuses. O Cristo/Dinheiro é, agora, o nosso único Deus, o mais poderoso de todos. O único Deus com um papa infalível, bispos, cardeais, sacerdotes/pastores, nossas senhoras, muitas cruzes. O mais armado, cruel, assassino. A prova, inequívoca, está aí: Ontem, a par de capas de jornais europeus, aparentemente solidários com as vítimas, de hipócritas minutos de silêncio, de declarações oficiais sem um pingo de humanidade, eis que 88 mil polícias franceses estão envolvidos “na caça ao homem”. O que diz bem quão peritos, somos, em crueldade. E já sem emenda. A menos que expulsemos da mente-consciência, “Aquilo” que nos devora a alma – o judeo-cristianismo-islamismo. É Jesus Nazaré, o filho de Maria, quem o diz! E eu, com ele.

9 Janº 2015

Exit mobile version