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CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – “CAXINAS, A DESDITA DE SER PESCADOR” – por Mário de Oliveira

quotidiano1

O pároco de Caxinas já contabiliza mais de cem funerais de pescadores. Em tempo de campeões disto, daquilo, recordes batidos nas mais diversas áreas, até, parece reivindicar para ele o recorde de funerais de pescadores mortos no mar, carregado de lágrimas de Portugal. Sobretudo, das populações piscatórias, condenadas ao luto, do nascer ao morrer. Por sua vez, as tvs do país, peritas em terrorismo informativo, não perdem pitada e multiplicam os directos, sem um pingo de recato, respeito por quem tanto sofre, se aflige. Enviam jornalistas pés-de-microfone que invadem as casas, exibem em primeira mão, choradas declarações de mulheres, de repente, viúvas, adolescentes, de repente, órfãos de pai. Fazem-no com o insaciável apetite de transformar sucessivas tragédias noutros tantos shows mediáticos. Perante as câmaras tv, toda a gente se chega à frente, para ter os seus momentos de fama, nem que seja à custa da tragédia. Querem, assim, contribuir para que Caxinas venha a figurar, em breve, no livro dos recordes do mundo, como a terra com mais pescadores mortos no mar que beija a nossa costa. Só porque é português, o mar tem passado de berço da vida, fonte de alimentos, a assassino dos pescadores, seus impreparados artesãos/operários, a laborar em precárias condições. Ao contrário de Paris, Caxinas nem sequer precisa de ataques terroristas, para ter os seus massacres. Só na madrugada de ontem, foram mais cinco pescadores mortos. Por cá, os jhiadistas e os cartoonistas satíricos estão no Governo, Parlamento, presidência da República, redacções dos media, igrejas-santuários, universidades. O número de pescadores mortos aumenta assustadoramente, no mar do país, mas até o pároco de Caxinas limita-se a presidir rotineiramente aos respectivos funerais, vender missas pelas suas “almas”! Como se todas esta mortes fossem naturais, inevitáveis. Nem ele foi ainda capaz de ver que se está perante um crime contumaz, cometido por jhiadistas crisrtãos institucionais a tempo integral. Sem que nenhum super-juiz os prenda em flagrante delito! Quando, afinal, o crime por omissão política é o que mais mata no mundo!

15 Janº 2015

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