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CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – QUARESMA, DIZEM ELES! – por Mário Oliveira

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Estão condenados a desaparecer. Depois de dois mil anos, os bispos das múltiplas dioceses do mundo católico romano ainda se não aperceberam de que são uma seita. Só de homens. Nem sequer merecem o pão-que-comem. É sempre de alguém, o pão que comem. Para cúmulo, fazem-se rodear de uma corte de eunucos ao seu serviço. Vestem diferente. Seguem um calendário, só deles, a que chamam “litúrgico”. Cíclico. Quando a História é linear. Como os rios. Dizem-se homens de um Deus que, como eles, não tem história. Criatividade, não é com eles. Os Rituais e os Missais são os livros que mais frequentam. Habitam escusos lugares, só deles, a que chamam altares, sacristias, templos, santuários, igrejas. Com tudo de necrotério. Às mulheres, aos homens, preferem as imagens dos altares. As almas dos mortos são a sua paixão e o seu negócio. O pós-morte é tudo para eles. Não amam ninguém, proibidos que estão de constituir família. Tudo é irreal no seu viver, como as exóticas vestes com que se apresentam diante das populações. Odeiam a vida, a alegria, a festa, o prazer, a felicidade. Quando a primavera começa a pre-anunciar-se por toda a parte, os bispos, juntamente com os párocos que têm como seus funcionários nas aldeias das respectivas dioceses, em lugar de se associarem à festa da Natureza e saírem a cantar e a dançar a vida, apresentam-se tristes nas suas liturgias e tentam convencer as populações, suas súbditas, de que entramos na quaresma, semanas e semanas de pesadelos, de cilícios, de auto-flagelações, jejuns, abstinências, sacrifícios. Acham-se santos, virtuosos, sacrificados pelo mundo. São esquizofrénicos que se não reconhecem. As populações ainda se não libertaram de vez desta espécie de espinheiros. Estão em vias disso. O que se saúda. Saibam que não há igrejas e humanidade. Há humanidade, em múltiplos povos. Libertemo-nos do Medo. Levantemos as nossas cabeças. Agarremos a História com todas as forças. É na História, não nos ritos/altares, que garantimos o pão nosso de cada dia. Quanto mais vasos comunicantes uns com os outros, melhor!

19 Fevº 2015

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