
O ano de 2015 é o ano imediatamente consecutivo a 2014, afirmou num debate parlamentar, ocorrido em Abril de 2012, Vítor Gaspar, o então ministro das Finanças português do executivo de Passos Coelho. Esta “verdade de La Palisse”, foi uma das poucas verdades incontestáveis emitida por este governo. Hoje, passam 490 anos sobre a morte de um homem relacionado com este tipo de verdades que não podem ser contestadas. A de Vítor Gaspar não é má e compete com a de George W. Bush que nos revela que A maior parte das nossas importações, provém de países estrangeiros.

As verdades de La Palisse têm origem num eventual qui pro quo na interpretação de um verso com que a soldadesca assinalou a morte em combate do marechal Jacques de Chabanes, senhor de La Palisse no dia 23 de Fevereiro de 1525, combatendo forças italianas na batalha de Pavia: S’il n’était pas mort il ferait envie, (Se não estivesse morto, faria inveja) a qual foi deformada em s’il n’était pas mort il (ƒerait – serait) en vie(se não estivesse morto faria/estaria vivo); Mais tarde esta frase daria lugar a uma canção humorística, que nos assegurava Un quart d’heure avant sa mort, il était encore en vie.” (Um quarto de hora antes da sua morte, ainda estava vivo).
O direito de a Alemanha poder decidir o que é verdade, baseia-se no princípio de que a verdade é aquilo que quem detém o poder quer que seja. E, ao contrário do que disse Lenine, a verdade nem sempre é revolucionária. Pelo menos, não se ajusta aos princípios de todas as revoluções – aliás, não se ajusta a quaisquer princípios – é o que é. Mas a ‘verdade’ que prevalece não é a que respeita a objectividade – na próxima sexta-feira passa uma outra data – a que assinala a assinatura do Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã – os 162 milhões de euros que a Alemanha deve à Grécia por reparações de guerra, são para pagar ou, à luz da ‘verdade’ germânica, são para esquecer? A mentira, a verdade, o absurdo, o ridículo, são conceitos relativos e que dependem de quem os emite – respaldada no «amigo americano», o que Merkel afirme é que vale. E aqui, apoiados pela amiga Angela, o que Passos Coelho e os seus rapazes e raparigas disserem, é sempre verdade.
Um quarto de hora antes de ser derrubados, estarão ainda no poder.
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