Site icon A Viagem dos Argonautas

CARTA DE LISBOA – Ó Passos, tens cá disto? – por Pedro Godinho

lisboa

Há sempre quem nos tome por parvos e nos trate como tal.

Ser o primeiro ministro a fazê-lo de modo tão descarado é que será novidade, ou não?

No Japão o embaraço daria em hara-kiri. Aqui dá um ministro da segurança social a elogiar o golpe do mestre contra a segurança social.

O pior é que alguns de nós são mesmo parvos. E vão na cantiga e elegem-nos para nos governarem, ou seja, lixarem.

É que é preciso ser mesmo parvo para não os ver vir de longe. Ver que não sabem o que é trabalhar e nunca fizeram nada de útil na vida, mas são treinados e exímios em obter benefícios à conta dos outros. Das jotas para as assessorias ou gabinetes municipais, parlamentares ou ministeriais, ou para consultores de empresas de negócios manhosos que passam sempre por contratos com os poderes públicos controlados pelo partido que servem fielmente. Depois, para os mais ambiciosos e desavergonhados, a promoção a deputados, administradores, secretários de estado ou ministros.  As jotas são escolas de esquemas e golpadas, a iniciação à burla continuada; um acto de decência seria extingui-las, mas se o fizessem os partidos ficavam sem os seus hooligans.

E comportam-se como se a lei e as regras não se lhes aplicassem, como se o mundo deles não fosse o dos comuns mortais – convencem-se (e apoiam-se) uns aos outros que são mesmo diferentes da gentalha e tão importantes que tudo lhes é permitido e só os parvos não se aproveitam do poder a que deitam a mão.

Coitado, o homem é íntegro, nunca mentiu, nunca se aproveitou, não sabia que tinha de fazer descontos para a segurança social. Certamente também nada sabia dos esquemas da Tecnoforma.

Houvesse escrutínio social e jornalístico e, aposto, mais viria à superfície. Não vimos senão a ponta do icebergue.

Cada cavadela, cada minhoca.

Gosto de cinema, e de comédias, mas nas fitas nacionais, como dizia o outro Vasco,  chapéus há muitos seu palerma.

Exit mobile version