Site icon A Viagem dos Argonautas

CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – OUTRA ESCOLA É PRECISO! – por Mário de Oliveira

quotidiano1

Uma boa parte da minha manhã de ontem foi de presença-intervenção no anfiteatro da Escola de Penafiel. Entre muitos estudantes, elas, eles, visivelmente interessados, participativos, já com a Universidade no horizonte. O pretexto foi a apresentação do romance, CASA DA LUA, da minha amiga Cidália, Prof.ª de Português naquela Escola. Pude captar, então, como num relâmpago, que a Escola, como instituição, é um cancro ainda por diagnosticar. As instalações físicas podem até ser um mimo, como no caso concreto desta Escola de Penafiel. Também as instalações da Cadeia política de Caxias, nos anos do fascismo salazarista, eram um mimo. Nem por isso, Caxias deixava de ser a Cadeia para os presos políticos, a aguardar julgamento. Sei do que falo, porque, por duas vezes, fui um dos seus muitos “inquilinos”. Assim como vivi 12 anos, dos 13 aos 25, na Escola-Seminário do Porto. Hoje digo, Outra Escola é preciso. A que existe é roupa confeccionada em série. Temos de nos adptar a ela. Basta atentarmos no tipo de sociedade que a Escola, ao longo das sucessivas gerações, tem dado à luz. É pelos frutos que se conhecem as instituições. Se há sociedade que mais grite a rotunda falência da Escola que, sucessivamente, temos tido, é a actual. Um desastre em toda a linha, se atentamos no ser-viver quotidiano de quantas, quantos a frequentaram e hoje são adultos com acrescidas responsabilidades. Abundam os medíocres, os mentirosos, os oportunistas, os corruptos, os hipócritas, os amantes do Dinheiro, do Poder. A Escola foi a sua perdição. Empanturrou-os de ideologia, formatou-lhes a mente, matou-lhes a consciência, roubou-lhes a alma. Fez deles, subservientes do Poder, corruptos quanto ele. Quando, do que mais precisamos, em cada geração, é de mulheres, homens sábios, maiêuticos uns com os outros, vasos comunicantes. Dissolvamos, então, a Escola concebida para formatar cada nova geração que vem. Seja cada nova geração que vem, a Escola viva, a desenvolver-se de dentro para fora. Do nascer ao morrer.

19 Março 2015

 

 

Exit mobile version