CESÁRIO VERDE FOI O PONTO CENTRAL DO DIA MUNDIAL DA POESIA, NO CENTRO CULTURAL DE BELÉM, COM PALESTRA DE FERNANDO CABRAL MARTINS
clara castilho
Cesário Verde foi o poeta celebrado neste Dia Mundial da Poesia, dia 21 de Março no CCB. Foi-o com uma palestra e uma Maratona de Leitura. A palestra incidiu sobre a vida e obra do poeta, foi dada por Fernando Cabral Martins.
Aldina Duarte, Gonçalo M. Tavares, Fernando Pinto do Amaral, Tiago Rodrigues foram os convidados para a leitura de vários poemas do autor lisboeta.
Fernando Cabral Martins, é professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e membro do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional .Tem um obra publicada sobre o poeta – “Cesário Verde ou a Transformação do Mundo”( Lisboa, Comunicação, 1993).
Situando o poeta no grupo de escritores de que foi contemporâneo, realçou a forma como foi incompreendido pelos seus contemporâneos:
[ …]“De tal maneira que hoje, eu desgostoso e azedo
Com tanta crueldade e tantas injustiças,
Se inda trabalho é como os presos no degredo,
Com planos de vingança e ideias insubmissas.
E agora, de tal modo a minha vida é dura,
Tenho momentos maus, tão tristes, tão perversos,
Que sinto só desdém pela literatura,
E até desprezo e esqueço os meus amados versos!
Nós
Chamou a atenção para a sua especial ligação aos pintores e ao facto de a sua poesia ser fortemente marcada pela “visualidade”. Tem defendido que Cesário Verde é o exemplo do absoluto ‘domínio da intelectualidade na arte’. O poeta diz: “Pinto quadros por letras, por sinais”, que pode ser lido na sua inclinação realista, como tradicionalmente se faz, e nesse caso as letras e sinais são instrumentos para pintar quadros, ou na sua vertente simbolista.
[…]Eu não receio, todavia, os roubos; Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes; E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes, Amareladamente, os cães parecem lobos.