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CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – NASCER PARA QUÊ? – por Mário de Oliveira

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O debate no Parlamento acerca da (falta de) natalidade é revelador do nível abaixo de zero da maioria CDS-PSD que dá suporte ao governo da dupla PP-PC que despreza a vida, come criancinhas ao pequeno-almoço, afasta os velhos das suas casas, dos vizinhos, da festiva/mexida presença dos netos, para correr a metê-los em armazéns-corredores da morte, cria desemprego em massa, crava de impostos as populações, expulsa os recém-licenciados do país, oferece o salário mínimo aos que ainda resistem a emigrar, insiste em privatizar a TAP, o rosto/bandeira de Portugal no mundo, falta à palavra dada num acordo com sindicatos do sector, ainda que parte dela, por cumplicidade das partes envolvidas, não tenha ficado escrita, prefere perder 70 milhões de €, numa já anunciada greve de 10 dias, a negociar com os respectivos pilotos. O debate confirmou, mais uma vez, que estes deputados, mai-la respectiva presidente, são o cúmulo do cinismo político, social, humano. Esquecem-se que integram a minoria dos privilegiados do país, a mesma que faz-aprova leis contra quem trabalha; pratica abortos em clínicas privadas, no estrangeiro. Acabam todos de mostrar bem o tipo de gente que são. Cristãos, todos, ou quase, zero humanos. No seu tipo de mundo, os brinquedos electrónicos já substituem as crianças, os robots, os trabalhadores, o Dinheiro, os afectos, a ideologia/encenação, a realidade. Por sua vez, os deputados da oposição insistem em legitimar, com a sua activa presença, este absurdo parlamentar democrático, de modo que acabam de mostrar bem ao país o rasco nível político a que já desceram, como instituição, quanto estão alinhados pelo nível rasca dos canais tv, quanto são reféns do FMI, dos grandes grupos financeiros, inimigos da vida. Nascer para quê? – perguntam-se justificadamente as crianças, antes de serem concebidas. E fogem de ser concebidas. Que nos resta? Somos/damos corpo, como Jesus Nazaré, a um tipo de mundo vasos comunicantes, alternativo a este, ou desaparecemos como espécie.

16 Abril 2015

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