JORNAL de uma curta viagem ao Brasil – 4 – Faltam 1.000 dias para a Copa do Mundo-2014! – por Sílvio Castro

Quando a FIFA votou a favor da candidatura do Brasil para a organização da Copa do Mundo-2014, o futebol brasileiro rejubilou-se, mas igualmente o Governo brasileiro e a sua Diplomacia.

 

O entusiasmo e o orgulho brasileiros cresceram ainda mais quando, logo em seguida, o país saiu de novo vencedor, escolhido que foi pelo Comitado Olímpico Internacional para sede das Olimpíadas-2016, após aquela que se realizará em Londres no já verdadeiramente próximo 2012.

 

Os dois grandes eventos esportivos colocarão o Brasil ainda mais em realce no quadro dos mais importantes países atuais do mundo, reforçando a posição brasileira como uma das potências internacionais, voz inicial do grande grupo dos emergentes, o BRIC (Brasil, Rússia, India e China), de tão grande evidência e prestígio atual, ao ponto de provocar em outros novos emergentes o desejo de fazerem-se membros do Grupo, coisa até agora concedido (por intermediação da Rússia de Putin) somente ao South Africa, alargando assim a sigla das novas potências que se apresentam prontas a superar o G7 e fazendo-se BRICS.

 

Porém, mesmo diante desse sucesso político, retornam no Brasil e com veemência as novidades sobre a Copa do Mundo-2014. Isto porque acaba de partir uma contagem cronológica retroativa muito importante: FALTAM 1.000 Dias para a Copa do Mundo-2014!

 

A presidente Dilma Rousseff, antes de partir para Washington – onde lhe cabe, como Presidente do Brasil, pronunciar o discurso de abertura oficial da ONU (numa próxima crônica trataremos desse importante acontecimento e isso por várias razões de que então cuidaremos) – e depois da Presidente ter anunciado a marcante cronologia do evento esportivo em Belo Horizonte, tendo ao seu lado Pelé, embaixador da Copa, ela finalmente poude assinar a tão esperada lei que regula as atividades gerais do grande evento ligado ao futebol mundial.

 

A espera dessa lei estava provocando grande nervosismo entre os dirigentes da FIFA. Isto porque a mesma traça as normativas gerais do evento que movimentará em modo extraordinário a vida brasileira dos anos próximos. Tudo também na previsão de uma entrada de turistas em 2014 que superará certamente de muito a presença atual dos mesmos.

 

O nervosismo dos dirigentes FIFA pelo retardo da apresentação por parte do Governo de um projeto da “Lei da Copa” se relaciona com os inúmeros interesses que a entidade tem por uma indispensável regulamentação oficial, por parte do Exexutivo e do Legislativo do país organizador, na qual a mesma FIFA encontre coerentemente traduzidos os seus pontos de vistas tratados longamente com a parte interessada. Muito sinteticamente tais interesses da FiFA se traduzem nos seguintes principais itens: a FIFA espera que lhe seja dado o direito de fixar os preços do ingressos, com a abolição das meias-entradas; que o governo brasileiro venha responsabilisado por eventuais atentados terrorísticos; obrigar o mesmo a oferecer ao público serviços de segurança, saúde, vigilância sanitária, alfândega e imigração. Esperando ainda a FIFA que as concessões de vistos seja facilitada, bem como venham protegidas marcas e símbolos do Mundial. Um último desejo da entidade internacional que possivelmente não será acolhido pela “Lei do Mundial” se refere à permissão de vendas de bebidas alcoólicas nos estádios, coisa proibida no país. O responsável pelo Gabinete Civil da Presidência da República, ao comunicar à media a assinatura da Lei, afirmou que a mesma foi elaborada tendo em vista a soberania do país.

 

Faltam 1.000 dias para o início da Copa-2014, mas os serviços públicos anunciados para obras nas 12 sedes que hospedarão os jogos (Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Cuiabá, Manaus, Fortaleza, Salvador, Recife, Natal), serviços que se referem a modificações ou construções de estádios; alargamento e modernização de aeropostos; perfeito ajustamente do sistema hoteleiro à previsão de entradas de visitantes; reajustamento dos meios de transportes urbanos, estaduais, nacionais; etc.; ainda apresentam números fortemente distantes daqueles previstos para as correspondentes conclusões. Para avaliar tais dúvidas conclusivas basta ver os dados referidos no momento ao grande evento: de um total de 81 empreendimentos, 64% dos mesmos ainda não começaram concretamente. O andamento das obras apresenta neste momento os seguintes números: Iniciados, 29 (36%); Por começar, 52 (64%).

 

Mas, apesar desses números objetivos, no ambiente em geral não se respira preocupação. Tudo acabará bem!… Pessoalmente, assistindo a esses fatos algo difíceis para uma clara compreensão final, me veem à lembrança aqueles anos de minha adolescência quando, a cada dia, partindo de minha casa no bairro do Maracanã, eu não via crescer o estádio novo prometido, o mesmo que deveria hospedar as grandes partidas da ainda Copa Jules Rimet (que depois o Brasil conquistaria definitivamente) naquele inesquecível 1950. Estádio que, como previsto pelo ânimo brasileiro, no final ergueu-se, majestoso na sua capacidade de acolher 200.000 expectadores. Os mesmos que, acabada a final com o Uruguai, perambulavam por ruas e avenidas, quase sem compreender o que se passara poucos minutos antes…

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