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CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – O SUPER-BISPO PORTUGUÊS – por Mário de Oliveira

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São cada vez menos aquelas, aqueles que ainda dão alguma da sua atenção ao que se passa na igreja católica em Portugal. E no que respeita aos media de referência, a indiferença é ainda mais ruidosa, a não ser quando cheira a escândalos clericais, coisa cada vez mais rara, porque os clérigos estão em extinção. A última conferência dos bispos portugueses trouxe ao de cima a existência de um super-bispo. Não é manchete, porque os media só têm olhos, ouvidos para o super-papa Francisco, ele-só, a igreja católica no mundo. Importa, porém, darmo-nos conta do que está a suceder também na estrutura da igreja católica no país. O poder financeiro global não utiliza apenas o poder político de cada nação, para envenenar/matar a alma dos povos. O poder religioso/eclesiástico, agressivamente deísta/cristão, é o seu outro braço. Em Portugal, o eleito dele é o actual cardeal patriarca de Lisboa, o mesmo do papa Francisco, que o tem como uma espécie de alter-ego, até, potencial sucessor. Acima do próprio núncio apostólico, em Lisboa, mero verbo-de-encher, no novo organigrama do poder da igreja católica. O poder sabe que, ou se concentra em cada vez menos mãos, ou desaparece. A Cúria romana, presidida pelo papa Francisco, também sabe e não perde tempo. A reforma lá em curso visa concentrar ainda mais o poder eclesiástico em cada vez menos mãos. Só assim, o Poder finnanceiro – o Cristo vencedor, no paulino dizer dos cristãos – continuará a impedir os povos de crescerem de dentro para fora, até conduzirem a História. A conferência dos bispos portugueses acaba de fazer de D. Manuel Clemente o super-bispo da igreja católica, o seu interlocutor com o poder político, com o poder financeiro. Junta-se assim ao super-juiz, ao super-presidente ou super-secretário-.geral de cada partido político, ao super-ministro do governo, ao super-rico de Portugal. A total ausência de reacção política por parte das populações a toda esta concentração do poder é suicida. Já que só o Humano organizado é a via para a liberdade. Mas que é dele?!

17 Abril 2015

 

 

 

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