Andam aflitos os teólogos católicos mais progressistas com os casais católicos que se divorciaram civilmente e decidiram em consciência realizar um segundo casamento civil, o único possível para eles. Um significativo grupo deles acaba de se dirigir ao papa Francisco a apelar que o problema seja ultrapassado no próximo Sínodo dos bispos. São teólogos de renome, mas dentro do cristianismo que – nem eles sabem! – tem o condão de tornar mais pequenas as almas dos seus membros. Ainda não descobriram que o cristianismo e respectivas igrejas é que estão no banco dos réus. São parte integrante do pecado estrutural do mundo O que eles têm de fazer, se quiserem ser teólogos (pros)seguidores de Jesus, é anunciar aos povos do mundo, como eu aqui estou a fazer, que a comunhão das missas de domingo não passa de um rito sem sentido, uma comunhão sem comunhão, destinada a encobrir-branquear os crimes dos clérigos-sacerdotes que presidem e dos “fiéis” que correm a recebê-la. Por um momento e graças a esse rito, ricos e pobres, vítimas e carrascos, senhores e escravos, comungam o mesmo “corpo de cristo”. Parece que são irmãos uns dos outros. Não são. Há quase dois mil anos que é assim. Que comunhão é esta, a das missas de domingo, se os ricos que lá vão, como os que lá não vão, são cada vez mais ricos e os pobres que lá vão, como os que lá não vão, são cada vez mais pobres? E se a missa de domingo é presidida pelo papa ou pelo bispo da diocese, tanto pior. A comunhão do corpo de cristo é ainda mais mentira. Só serve para reforçar o poder de quem preside e do pequeno círculo de figurões de cada país visitado pelo papa, de cada paróquia visitada pelo bispo. Teólogos que põem no banco dos réus, não o cristianismo e suas missas de domingo, mas as suas vítimas, são míopes que filtram mosquitos e engolem camelos. Comunhão a valer, só numa sociedade de vasos comunicantes que urge edificar com as nossas práticas políticas-económicas maiêuticas. Não partidárias, nem cristãs. Simplesmente humanas.
14 Setembro 2015

