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CONTINUAMOS A SER BONS ALUNOS…. por Luísa Lobão Moniz

A Língua Latina volta a ser popular nas escolas e universidades da Alemanha.

O Latim regressa também à Escola Portuguesa.

Um recente estudo da Universidade Humboldt, de Berlim, afirma que esta aprendizagem facilita a  integração de estudantes de outros países.

O antigo idioma é muito mais do que uma base para aprender novas línguas, estimular o pensamento lógico ou a disciplina na aprendizagem, o latim é uma parte da nossa cultura.

A aprendizagem de um idioma é também capacitar os alunos para a aceitação da diversidade.

Na Alemanha, o latim é a terceira língua mais estudada, depois do Inglês e do Françês.

Em Portugal, o Senhor Ministro da Educação, Nuno Crato, não vai atribuir mais recursos às escolas que aderirem a este projecto, afirma que o latim não será mais uma disciplina obrigatória no ensino básico, porque será facultativa.

Não haverá mais professores colocados.

Como vai funcionar?

As escolas têm que ter no mínimo 20 alunos para fazer uma turma, e qual o número máximo de alunos? Para abrir uma turma de latim com menos de 20 alunos é preciso pedir autorização ao MEC. Pergunta-se, então as outras turmas que têm 26 e 27 alunos porque não podem ter 20 alunos, sem recorrer a um pedido especial, mas porque seria a norma?

O Ministério compromete-se a disponibilizar materiais que serão elaborados pelas associações, pelos centros universitários e pelos próprios professores e divulgados na página da DGE.

Sendo o Latim um conhecimento sobre as nossas origens linguísticas porque é facultativo? Será para reforçar o carácter elitista que o MEC pretende  imprimir à escola pública?

Onde estão os professores para ensinar Latim?

O Latim é uma língua muito lógica e ajuda a pensar com clareza, dizem os defensores da introdução do latim na escola.

Até 1974 os alunos do 1º e 2º anos do liceu aprendiam Latim. Qual foi a mais valia deste conhecimento?

Hoje o renascimento do Latim emergiu da reflexão que se tem feito (na Alemanha) sobre as causas do generalizado baixo nível de literacia entre os estudantes do ensino médio e superior e do insucesso escolar, condicionado por graves lacunas no domínio do alemão/português o que seleciona a entrada na Universidade.

Este insucesso é notório no caso de alunos cuja língua materna não é a alemã ou a portuguesa, verifica-se também nos alunos cujas famílias não valorizam a formação escolar.
Estudantes universitários, de diferentes áreas do saber, dificilmente compreendem textos complexos e abstractos, também na Alemanha.

Será que o Latim vai alterar a situação do insucesso escolar e da literacia?

As condições de vida que os alunos manifestam mantêm-se e tendem a piorar, o afastamento da família relativamente à escola, a valorização da Escola não se altera porque alguns alunos escolheram, de livre vontade, o Latim como mais uma aprendizagem.

Se calhar estes alunos serão aqueles que não têm dificuldade em aprender, para eles será mais uma vantagem para quando chegar a altura de entrar na Universidade.

Seja bem vindo o Latim, não para seleccionar, mas para capacitar os alunos com mais um conhecimento.

Aprender esta língua é ter acesso a uma cultura milenar que fundou, juntamente com o grego, a sociedade moderna e cujos valores transportam saberes, desde a área jurídica à educação e à medicina.

Foi a partir do latim que o mundo ocidental produziu a sua ciência, filosofia, religião; a sua história é a matriz das línguas românicas.

Nas Escolas Secundárias Pedro Nunes, Passos Manuel, Rodrigo de Freitas  os seus directores decidiram que o Latim não morreria!

Quem nunca viu ou ouviu:

ab initio – Desde o começo.

alibi

dura lex sed lex – A lei é dura, mas é a lei

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