INGLÊS OBRIGATÓRIO NO 3º E 4º ANO DO 1º CICLO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Pelo que percebi a integração do ensino da língua inglesa no currículo do 1º ciclo do Ensino Básico, para os 3º e 4º anos de escolaridade, torna-se obrigatória porque muitos alunos chegam ao 9º ano com resultados pouco satisfatórios.

Já tinha sido feita uma tentativa para introduzir o Inglês, no 1º ciclo cujo resultado não se traduziu numa melhor aprendizagem no 2º ciclo.

É quase do consenso geral que as aulas de Inglês durante o tempo das Actividades Extra Curriculares (AEC), nos 3º e 4º anos do 1º ciclo não decorriam da melhor maneira.

As razões são muitas:

– professores explorados, na actividade do seu trabalho lectivo e na maneira como eram vistos nas escolas, para não dizer que no início das AECs,  este tempo não contava como tempo de serviço para os concursos;

– os alunos tinham estas aulas depois de cinco horas lectivas e de mais uma ou duas de aulas AECs e ainda depois de estarem na escola há mais de oito horas seguidas;

É verdade que a aprendizagem do Inglês se tornou fundamental, até para perceber como funciona um electrodoméstico. Mas, já agora, pergunto-me porque as instruções vêm em imensas línguas execpto em português, até chinês e árabe estão contempladas…

Um dia mais tarde saberemos porquê.

É verdade que para se aceder ao conhecimento científico é preciso dominar bem a língua inglesa.

Muitos mais exemplos poderiam ser dados.

Mas não queiramos meter o Rossio na Betesga…qualquer professor, qualquer aluno sente, no seu dia a dia escolar, a dificuldade que há para que os alunos cheguem ao 3º ano a saberem escrever sem erros ortográficos, com uma leitura fluente e a saberem interpretar um texto.

Olhemos primeiro para dentro da sala de aula e as suas circunstâncias antes de tomar decisões que vão a reboque de exemplos fora de portas.

Turmas com elevado número de alunos, já sabemos que o senhor Ministro diz que Portugal é o país que tem menos alunos por turma relativamente à união Europeia; escolas com falta de condições para que o dia a dia corra sem demasiada excitação, maior indisciplina dentro da sala de aula, menos recursos humanos, menos apoios aos alunos do ensino especial.

Terá o Ministro conhecimento da variedade de Línguas Maternas que existem numa escola do 1º ciclo? Não basta ter nascido em Portugal para se ter o domínio da Língua Portuguesa. As condições socio económica, linguística e de proficiência do português são à partida argumento quanto baste para se respeitar estes alunos em vez de os excluir, a não ser que o Ministro tenha em mente reformular a constituição das turmas atendendo ao número de alunos por turma, atendendo ao comportamento dos alunos, aos alunos com necessidades educativas especiais, ás diferentes Línguas Maternas…

Gostaria muito que isso fosse possível, mas já agora, o que se vai retirar do programa do 1º ciclo para “entrarem” duas horas de Inglês por semana?

Os países, com que muito gosta o senhor Ministro de comparar com Portugal, como resolvem este problema? Excluem sempre os que têm menos e depois admiram-se das revoltas dos jovens.

É preciso não esquecer que quem não vive confortavelmente não pode aprender satisfatoriamente, por isso o problema não está em começar a aprender o Inglês cada vez mais cedo, mas reforçar o 2º ciclo com medidas pedagógicas mais eficazes e lutar por melhores condições de vida.

bia 13.07

Leave a Reply