A COLUNA DE OCTOPUS – Queimar gato vivo: quando a tradição é sinónimo de barbárie
carlosloures
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Ritual da queima do gato foi divulgado nas redes sociais onde se gerou uma onda de indignação. A cena passa-se em Mourão, no concelho de Vila Flor, Bragança.
Cenas chocantes…
Mostra um gato colocado dentro de um recipiente de barro e levantado a alguns metros de altura, num poste. O poste vai sendo queimado e à medida que as chamas envolvem o recipiente com o animal. Quando o poste arde, projecta-se no chão, sendo que o animal cai de uma altura superior de três metros, fechado no recipiente a arder, recipiente esse que se estilhaça no chão.
O gato em chamas, miando de forma lancinante, agoniza enquanto a população ri, esbraceja e se diverte com o suplício do animal que corre em círculos, tentando alivio e fuga, desorientado em agonia extrema.
Não faz mal, é tradição…!
Explicam “os entendidos em tradições” que “o fogo sempre foi o símbolo da purificação, iluminação e vida, e que no solstício de Verão era habito queimar árvores ou fazer o gado atravessar fogueiras, como função regeneradora e profiláctica.
Explicam também que o gato sempre foi visto com desconfiança na Europa na Idade Média (quando em civilizações mais antigas era venerado) e associado a bruxarias. No século XV, em França, os Reis assistiam à queima do gato (associado à morte de espíritos malignos) e esta foi prática comum até ao século XIX.
Quando a tradição é sinónimo de barbárie…
As tradições dos povos são essenciais para a sua coesão, mas não deve ser o livre arbitro para qualquer acto bárbaro e cruéis sobre pessoas ou animais.