Mc Luhan expendeu a ideia de que, com a expansão dos media o mundo se iria convertendo numa aldeia onde todos poderiam falar com todos e o mais insignificante acontecimento local poderia assumir uma dimensão planetária – a aldeia global. O conceito de aldeia global em que McLuhan expôs a ideia segundo a qual se caminhava para a globalização do planeta, sendo possível, em qualquer circunstância, a comunicação directa e sem barreiras. “um mundo interligado por meios de informação de massa que forjariam uma cultura global”. Como paradigma da aldeia global, referiu a televisão, meio de comunicação de massa em nível internacional, que começava a ser integrado via satélite.
Porém, McLuhan morreu em 1980 e não era previsível o advento da internet. Foi na década de 80 que a internet começou a dar os primeiros passos, mas só nos anos 90 ganhou alguma expressão e só após a passagem do século se confirmou como meio de comunicação e como fonte privilegiada de informação.
Por isso, o conceito de aldeia global foi recebido com críticas severas, sendo considerado utópico. Hoje, com a expansão meteórica da Internet, apesar de o acesso à Internet ser em alguns estados vigiado e condicionado, o uso da rede começa a provocar padrões universais de comportamento social.
A crise grega, que é uma crise europeia, os episódios da política portuguesa – da prisão de Sócrates, às sondagens eleitorais – tudo o que configura a realidade quotidiana no país, no continente, no mundo, tudo nos é filtrado pelas lentes da informação. Assimilámos o conceito de democracia que nos foi imposto por uma comunicação social ao serviço do “pensamento único”, vigiado pelas regras de um “politicamente correcto” cuja correcção se pauta pelos interesses da oligarquia que domina o mundo. Ou seja, foi-nos imposta uma maneira de pensar supostamente correcta, “democrática” – contestá-la é incorrecto, anti-democrático – adoptámos como contestatário e progressista um sistema de ideias que nos acorrenta aos interesses do inimigo – na aldeia global, usamos a coleira canina como se fosse um par de asas.