Nestes dias, há quem ande a tentar convencer-nos de que a agitação nas bolsas, agências de rating e outras entidades é da responsabilidade do acordo PS/BE/PCP/PV. Procuram fazer-nos crer que o entendimento entre estes quatro partidos, ou formações políticas, conforme prefiram, está a ameaçar desencadear uma crise de proporções tais que, se não pusermos cobro rapidamente àquela aliança, ocorrerão enormes desastres, e que teremos de pagar bem caro os prejuízos decorrentes. Até porque, dizem, temos os tratados europeus que temos de cumprir, e nos impõem a austeridade que temos “aguentado” (conforme nos informou o banqueiro Ulrich).
Evidentemente que quem nos pretende impingir estas histórias põe um ar ingénuo, de quem não tem nada a ver com o assunto, quando se fala do BES, do BPN, do BCP, das PPP (ppp = parcerias público-privadas, lembram-se’) ou das rendas da energia e das auto-estradas, e nem quer ouvir falar dos submarinos ou de quanto realmente vai custar a privatização da TAP. Entretanto procura pôr as instituições europeias contra a formação de um governo de esquerda em Portugal.
As instituições europeias talvez não apreciem que se forme um governo de esquerda em Portugal. Isso é sem dúvida muito grave, até porque pode ser o golpe decisivo na ideia de uma Europa democrática, a servir de exemplo e a dar lições ao resto do mundo, como têm pretendido os seus líderes desde a Segunda Guerra Mundial. Contudo, neste momento, estes devem estar mais preocupados com o “brexit”, ou seja, a saída do Reino Unido da União Europeia. David Cameron parece mesmo determinado em realizar em 2017 o referendo sobre a permanência do seu país, e não há ameaças nem queixinhas que o travem. Dirão: o Reino Unido tem outra dimensão. É maior, mais populoso e tem a City e armas atómicas. Nada disso o faz melhor do que nós, mas sempre consegue meter medo aos outros. Mas, de qualquer modo, mesmo tendo em conta as diferenças, faz-nos compreender que não ganhamos nada em andar a fingir que somos bons alunos (de quê?) ou a lamber botas.
Propomos as leituras seguintes:
http://internacional.elpais.com/internacional/2015/11/12/actualidad/1447331225_134898.html


