EDITORIAL – BREXIT OR NOT BREXIT

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Esta semana vamos estar concentrados  no referendo britânico e nas eleições no reino espanhol. Apesar de forte concorrência futebolística, muita gente tem a consciência do impacto que, em qualquer circunstância, os resultados terão na vida de toda a Europa, e não só. Claro que os efeitos serão diferentes conforme o sentido para que apontarem. Mas há algumas coisas que é necessário realçar. Falando hoje sobre o referendo britânico, permitimo-nos avançar com algumas ideias:

Em primeiro lugar, o dramatismo que está a acompanhar o referendo britânico seria com certeza muito menor caso tivessem sido outras as políticas adoptadas pela UE. As chamadas políticas de austeridade são responsáveis pela crise, pela estagnação e pelo retrocesso económico que se verifica por toda a Europa (dentro e fora da zona euro e da UE, com excepção talvez da Alemanha, e esta não o será por muito tempo), com ondas de choque que se sentem no resto do mundo. O colapso financeiro de 2008 deveria ter sido tratado e reprimido com medidas de disciplina sobre o sistema bancário e financeiro, e recorrendo aos tribunais, mas em vez disso foram impostas penalizações que afectaram a grande maioria da população. Não é com certeza uma especulação descabida levantar a hipótese de que se as políticas de austeridade não tivessem ocorrido, o Reino Unido (embora os seus dirigentes se ufanem das vias que seguiram) não teria pensado em levar avante a ideia de sair da UE.

Mas o pior é que do referendo britânico, quer vença a saída, quer continue a adesão à UE, o mais certo é não sair grande coisa. A este respeito recomendamos a leitura de um artigo de Paul Mason, publicado em The Guardian, em Maio passado, e que em baixo podem ler na tradução portuguesa de Luís Branco, e no original. O grave é que estamos perante a perspectiva de a Grã-Bretanha, saindo da UE, favorecer cada vez mais os ricos contra os pobres, rejeitar os estrangeiros, tanto os que querem entrar como os que já lá estão, e aliar-se ainda mais aos Estados Unidos, com Hillary Clinton ou Donald Trump, para continuar a política de saque e conquista em relação ao resto do mundo. Mas se a Grã-Bretanha continuar na UE, não vai proceder de maneira muito diferente, pois as concessões (recompensas) que os patrões da UE têm guardadas para David Cameron, caso este consiga ajudá-los a salvaguardar os seus preciosos (para eles, claro) lugares, vão de certeza permitir-lhe seguir um caminho praticamente igual ao de Boris Johnson, o líder do Brexit.

http://www.esquerda.net/artigo/razoes-de-esquerda-para-o-brexit-um-dia-destes/43293

http://www.theguardian.com/commentisfree/2016/may/16/brexit-eu-referendum-boris-johnson-greece-tory

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