No título usámos uma expressão adaptada de um artigo de Joseph Stiglitz saído em Project Syndicate e Social Europe, que podem ler nesta segunda publicação clicando no link abaixo. Numa análise macroeconómica refere que o grande problema, ao nível global, está na insuficiência da procura agregada. Refere também que esta deficiência resulta de uma combinação de desigualdade crescente e de uma onda disparatada de austeridade fiscal (…brought on by a combination of growing inequality and a mindless wave of fiscal austerity). Refere ainda o seguinte:
Os obstáculos que a economia global enfrenta não radicam na economia, mas na política e na ideologia. O sector privado criou a desigualdade e a degradação ambiental com que hoje nos temos de preocupar. Os mercados não conseguirão resolver estes e outros problemas críticos, ou trazer de volta a prosperidade, só por eles. São necessárias políticas governamentais activas.
(The obstacles the global economy faces are not rooted in economics, but in politics and ideology. The private sector created the inequality and environmental degradation with which we must now reckon. Markets won’t be able to solve these and other critical problems that they have created, or restore prosperity, on their own. Active government policies are needed).
O que nos diz Joseph Stiglitz não é nada de radical (dando a este termo a acepção que lhe conferem muitos comentadores e políticos defensores do statu quo). Todos nós sentimos aquilo a que ele chama a grande doença, que é a enorme recessão em que o mundo está mergulhado, e que atinge a todos, excepto uma minoria, que essa, esse grupo de manipuladores e agiotas passa o tempo tentando descobrir como pode manter os seus privilégios, e enganar o resto das pessoas a esse respeito. Um desses senhores, Donald Trump, que tem conseguido encher a comunicação social com a sua pessoa, agora veio acusar Hilary Clinton e Obama de terem criado o ISIS/Daesh/exército islâmico (Daesh). Nós aqui permitimo-nos referir que os dois últimos têm evidentemente pesadas responsabilidades na situação, mas mais ainda os Bush. Mas estamos claramente perante mais um espectáculo montado, para nos distraírem dos problemas do quotidiano, inclusive das melhores maneiras de combater o próprio Daesh. Uma delas seria cortar os abastecimentos de armamento que afluem às zonas do globo infestadas pelo fanatismo religioso, ou de outra natureza. Mas duvidamos que Trump alguma vez queira propor uma medida destas. Prefere fazer discriminação (mais ainda), propondo a proibição da entrada de muçulmanos no seu país, apesar de este se querer apresentar a todo o mundo como livre e tolerante.
Enquanto a comunicação social nos enche com as diatribes de Trump e de outros da mesma igualha, não dá a devida atenção a problemas prementes, como é o caso do mau estado em que se encontram muitas infra-estruturas essenciais, por todo o mundo e mesmo nos Estados Unidos. O tratamento deste assunto, abordado por Stiglitz, seria uma das maneiras de ajudar a vencer a Grande Doença. Para tal seriam necessários investimentos consideráveis, que seria preciso desviar das loucuras da finança, e das obsessões armamentistas.
Aqui apresentamos o link para o artigo de Stiglitz, e outro sobre as afirmações de Trump:
http://www.socialeurope.eu/2016/01/the-great-malaise-continues/
http://rr.sapo.pt/noticia/43207/hillary_clinton_e_barack_obama_criaram_o_isis_diz_donald_trump


