Pela terceira vez, o papa Francisco, chefe da Cúria romana, lança uma nova lotaria. O negócio sujo apresenta-se coberto com o manto da caridade(zinha), o que o torna ainda mais sujo. Sem que o papa sequer suspeite. Coisa mais do que habitual em tudo o que é iniciativa da igreja católica ou das igrejas protestantes. Nunca se fala em negócio, ta’renego, satanás! Só de caridade(zinha), bem-fazer. Com o simulacro de ajudar os refugiados e sem-abrigo, o negócio sai muito mais a ganhar. O ganho da lotaria do papa é mais do que garantido. Para lá de contar com muito mais pessoas a adquirir-comprar bilhetes ao preço de 10€ cada um, a iniciativa dá a quem a promove, no caso, ao papa e à sua mafiosa Cúria romana, um mais em veneração e em devoção por parte dos muitos fãs de ambos os sexos, que a lotaria, só por si, nunca daria. Há ainda outra garantia à partida – os bilhetes emitidos para a loteria do papa depressa esgotarão, o que, para o Vaticano, é um tal arrebanhar de dinheiro… sujo. Logo limpo, graças à invocação da caridadezinha, do bem-fazer.
O papa faz questão de dizer que o dinheiro é totalmente destinado a “ajudar refugiados e sem-abrigo”. Pode até ser. Mas uma coisa é certa. Depois de tudo concluído, os refugiados e os sem-abrigo são ainda em maior número. Porque a caridadezinha tem esse triste e perverso condão. Como nunca ataca as causas que produzem os refugiados e os sem-abrigo, apenas contribui para alimentar alguns dos já existentes, cria condições mais do que favoráveis para que o número de uns e de outros se multiplique mais e mais. As grandes cidades são o alfobre onde germinam e crescem como cogumelos depois das chuvas toda esta espécie de desvios do humano em condições de dignidade. Por isso, ajudar ou humilhar?
É verdade. As grandes cidades são as grandes meretrizes do Pecado Organizado, onde medra todo o tipo de perversões. À mistura com todo o tipo de solidões, de suicídios do humano. Os piores suicídios, embora não contem para as estatísticas, atentas apenas ao universo físico. Os suicídios do humano só são do restrito conhecimento dos psiquiatras e, mesmo destes, muito poucos. O grande número de suicídios do humano não chega sequer a frequentar os psiquiatras. São suicídios que esbarram com muros de silêncio. Mesmo que o grosso das populações esbarre com eles nas valetas das ruas, nunca os vêem, nunca os escutam. Ninguém dá por eles. Nem os próprios familiares, atarefados que andam com os seus empregos e os seus telemóveis última geração. Só mesmo no dia da morte do corpo. A da alma há muito que havia ocorrido em silêncio, sem que ninguém desse por nada.
Destas solidões do humano, o papa e as elites dos privilégios não sabem nada. Soubesse o papa e nunca, em tempo algum, lhe ocorreria criar – e já pela terceura vez! – uma lotaria para sortear objectos de valor, porventura, prendas que lhe tenham oferecido – mas o que não oferecem ao papa os seus milhões de fãs, de devotos?! – entre os quais, desta vez, estão um carro e um relógio. A iniciativa já anunciada é uma injúria aos refugiados e aos sem-abrigo. Para cúmulo, os poucos que vierem a receber algumas migalhas dos lucros desta lotaria, ainda terão de ficar gratos a quem os humilha deste modo.
Só os bem instalados como o papa de Roma e os cardeais que o servem, são capazes de conceber perversas iniciativas deste calibre. Do que eeles não são capazes é de trocar de posições na estrutura social, concretamente, trocar as suas comodidades e os seus confortos pelas condições-privações dos refugiados e dos sem-abrigo. Concretamente, tornarem-se refugiados e sem abrigo por opção e confiar a refugiados e sem abrigo à força os espaços de conforto que agora ocupam. Se o fizessem, depressa, perceberiam quão humilhante é uma iniciativa como esta, a lotaria do papa.
“À possibilidade de vencer um prémio, que é um presente do Papa, recebido e oferecido, une-se a certeza de um prémio mais precioso e seguramente ganho: a alegria de ter partilhado um pouco de amor”. As aspas antes e no final da frase indicam que se trata de uma citação. Calculem da responsabilidade de quem é esta tirada mais do que obscena. Precisamente, de gente que trabalha na Rádio Vaticano. E não qualquer gente. Exctamente monsenhor Ravelli, da Esmolaria Apostólica. Leram bem, Esmolaria Apostólica. Tudo no Vaticano é apostólico. Entenda-se, em linguagem não-vaticana tudo é, demoníaco, tentador, mentira, hipocrisia, faz-de conta. O Vaticano até criou um departamento dedicado às esmolas, ou caridadezinha. E baptizou-o de Esmolaria apostólica. Esta só lembraria ao diabo, perdão, ao papa! E está bem. Porque do diábo é praticamente tudo o que corrompe. E o que há no Vaticano que não corrompa? Só que, no Vaticano, até a corrupção é apostólica!!!
Tivessem as populações do mundo olhos para ver e ouvidos para ouvir, como os olhos e os ouvidos de Jesus, e veriam como Jesus vê e ouviriam como Jesus ouve. Depressa, concluiriam que tudo o que o Vaticano faz, diz e decide tem a marca da perfídia, da mentira, da hipocrisia, da corrupção. Nada é humano dentro do Vaticano. Quem lá entra e permanece fica de imediato contaminado. Vê virtude, onde só há corrupção, negócio. Vê santidade, onde só há farisaísmo, hipocrisia, vestes brancas ou escarlates. O que de certeza não vê no Vaticano são seres humanos cordiais, sororais, maiêuticos. Só figurantes de todas as idades, o maior dos quais é o papa de turno.
A partir de agora já não há só santas casas da misericórdia em Lisboa e noutras cidades que lançam jogos de lotaria, euromilhões, raspadinha, totoloto, totobola e outros jogos de produzir muitos milhões, sem produzir nenhuma riqueza. Há também um papa, o de Roma, de seu nome Francisco, que lança uma lotaria para “ajudar os refugiados e os sem-abrigo” a serem refugiados e sem-abrigo por toda a vida. Que mais virá por aí de perfídia apostólica nos próprios dias, meses?!
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