O papa Francisco não faz por menos. Convenceu o seu imediato antecessor, agora papa emérito, a juntar-se a ele nos luxuosos jardins do Vaticano. Sob os holofotes da grande comunicação social. E Bento XVI não se fez rogado e lá saiu do seu remanso no palácio-convento que destinou para ele próprio, quando ainda em exercício. Que o momento eclesiástico católico, pelos vistos, é muito grave.
E que foram fazer os dois papas aos luxuosos jardins do Vaticano? Ora o que havia de ser. No beato entender do papa Francisco, o diabo está apostado em destruir a igreja católica imperial, cujos alicerces o imperador Constantino lançou no séc. IV, quer através da construção de basílicas, entre as quais, a de S. Pedro, e outras sumptuosas igrejas, quer, sobretudo, com o famoso Credo de Niceia-Constantinopla que fez os bispos aprovar em dois Concílios, sob a sua presidência e a custas do seu império E que, logo depois, impôs a todos os seus súbditos até hoje! Apesar disto, no beato entender do papa Francisco, os ataques do diabo são mais do que muitos. E a prova é que até os horrendos crimes de pedofilia dos clérigos acabam por ser obra do diabo, não dos clérigos. Não fosse o diabo e os horrendos crimes de pedofilia dos clérigos não teriam ocorrido. Pasme-se!!!
Consequente com esta sua mais do que demencial visão das coisas, o papa Francisco não hesitou em mandar construir uma monumental estátua do arcanjo s. miguel destinada a proteger do diabo a sua igreja católica imperial. Construída a estátua e colocada no lugar que lhe estava destinada, os dois papas foram inaugurá-la e benzê-la. Na verdade, só o papa Francisco o fez. Mas a silenciosa e orante presença do papa emérito, só por si, assusta o diabo. Se, em pleno exercício de funções como Prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, primeiro e durante muitos anos, e, depois, como papa, assustou e castigou exemplarmente os teólogos da teologia da libertação e justificou teologicamente a crassa demência que é o texto do chamado terceiro segredo de fátima, é óbvio que também assusta o diabo, porventura, mais ainda do que o próprio s. miguel arcanjo, que não passa de um velho mito que o cristianismo integrou e que só mentes perturbadas e possessas de medo, como a do beato papa Francisco, tomam como um ser real.
Não se ficou por aqui o papa Francisco. Apanhado pelo medo do diabo, aproveitou o evento nos jardins do Vaticano para lançar dali um apelo a toda a igreja e ao mundo, para que, pelo menos, neste mês de outubro, redobre as suas orações contra os ataques do diabo. Concretamente, que as pessoas rezem o terço todos os dias e lhe juntem a famosa oração a s. miguel arcanjo, inventada pelo papa Leão XIII, após ter tido um pesadelo numa noite em que viu o diabo com todo o seu exército infernal a atacar e destruir a igreja. Quando acordou, apesar de ver intacto o seu imponente palácio, foi a correr escrever a mágica fórmula que, recitada diariamente, garante à igreja – palavra de papa infalível – a protecção dos ataques do diabo. Ei-la, ‘São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate. Sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demónio. Que Deus manifeste sobre ele o seu poder, é esta a nossa humilde súplica. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com o poder que Deus vos conferiu, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos, que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Amen’.
É público que o Concílio Vaticano II, envergonhado com tamanha crendice nos poderes de s. miguel arcanjo, aboliu a reza desta fórmula que eu próprio, quando puto de 8-9 anitos, já ajudante de missa em latim, repetia com o meu pároco, e que tinha de ser recitada de joelhos pelos padres nos degraus do altar, no final de cada missa rezada de pé por eles em latim. O facto de terem de o fazer de joelhos, levava os devotos a pensar que aquela fórmula era mais poderosa que a própria missa. Talvez por isso, o beato papa Francisco, à revelia do Vaticano II, tenha querido trazê-la de volta, neste milénio da revolução tecnológica! É caso para perguntar, Afinal quem pode mais, o papa ou o diabo?