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EDITORIAL – UM REFERENDO NO REINO UNIDO – A HIPÓTESE DE SIR HUMPHREY.

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No próximo dia 23 de Junho, daqui a quatro meses, vamos ter um referendo no Reino Unido (RU). E, vejam lá, sobre a permanência ou não do reino de sua majestade Isabel II, na União Europeia (UE). Não resistimos à pergunta: porquê é que eles podem fazer um referendo e nós não? Já agora, porque não fazem o mesmo todos os países europeus, quer estejam já integrados na UE, ou pretendam dela fazer parte?

Um aspecto muito interessante é que a marcação deste referendo ocorre imediatamente a seguir ao RU ter celebrado um acordo com a UE, aprovado por todos os países que integram esta, e com o qual David Cameron parece ter ficado muito satisfeito (ver segundo link abaixo). É sem dúvida sempre importante saber qual é a vontade popular, especialmente sobre acontecimentos tão importantes como a adesão a um organismo que visa a integração dos países que a ela venham a pertencer. A história recente mostra bem a gravidade e os riscos que acarreta essa integração. Para vários países, em particular para os de menor dimensão e recursos, está-se a revelar bastante problemática, sobretudo após a vaga de austeridade imposta pelas autoridades europeias.

Outro aspecto relevante é o do estatuto que o Reino Unido pretende conservar mesmo quando membro da UE de pleno direito, de modo a poder rejeitar iniciativas ou passos na integração que julgue que não são do seu interesse. Foi o caso com o euro, e também o será com a eventual constituição de um exército único europeu. Olhando para a questão de outra maneira: não será de perguntar o que faz o RU na UE? Aqui não será descabido recorrer ao humor, que, como é geralmente reconhecido, tem sempre um papel importante. Alguns não hesitarão em reconhecer que tem um papel importante sobretudo nas alturas mais graves. E assim recordemos a histórica série televisiva Yes, Minister (entre nós Sim, Senhor Ministro). Num dado episódio, em que se refere precisamente a integração do RU na UE, põe-se a questão de qual é a razão porque acontece. Afinal, parece que ninguém gosta, ou pelo menos tem sérias dúvidas sobre a integração europeia. Sir Humphrey Appleby, o secretário permanente do ministério para os assuntos administrativos, resume o assunto da seguinte maneira: é a política europeia que seguimos há quinhentos anos. Unimo-nos à Europa para a desunir. Nós ousamos acrescentar: talvez seja por isso que os Estados Unidos querem o RU na UE.

Propomos que acedam aos links seguintes:

http://www.theguardian.com/politics/2016/feb/20/cameron-set-to-name-eu-referendum-date-after-cabinet-meeting

http://www.lemonde.fr/international/article/2016/02/19/brexit-donald-tusk-annonce-un-accord_4868772_3210.html

 

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