EDITORIAL – E DEPOIS DO BREXIT…

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Afinal o Reino Unido resolveu sair da UE. Trata-se sem dúvida de uma decisão grave, mas não inesperada. Os abalos vão sentir-se a vários níveis, no próprio Reino Unido, na Europa, na UE (que não é mesma coisa que a Europa) e pelo mundo fora. Não podemos no espaço deste editorial fazer uma análise exaustiva das possíveis consequências. Para já propomos a leitura dos vários textos que estamos a publicar em A Viagem dos Argonautas acerca do assunto. Mas continuamos a insistir num ponto: o que se está a passar no Reino Unido é grave, mas que no resto do mundo decorrem outros acontecimentos muito importantes, que também nos podem condicionar de várias maneiras. Por exemplo, no domingo as eleições no reino espanhol, a forma como decorrerem, os resultados que dela resultarem (não só em termos de votos contados), terão com certeza reflexos não só internos, como em outros países, a começar por Portugal.

Mas não queremos deixar de focar um ponto, que nos parece especialmente importante, até por nos dizer directamente respeito: o inegável fracasso da UE. O Brexit é apenas um sintoma. A UE está a caminho de um fracasso total, por várias razões, sem dúvida, mas sobretudo porque nunca foi capaz de captar o interesse e a simpatia dos cidadãos dos países que têm sucessivamente a ela aderido, por vezes em circunstâncias e seguindo métodos errados, como foi o caso de Portugal. A Alemanha, que tem tido graves responsabilidades na condução da vida da organização, não vai querer, ao que tudo indica, mudar substancialmente a relação de domínio que tem tido com os outros países, e vai tentar agravar e não abrandar essa relação. A burocracia europeia fará tudo para manter as suas posições privilegiadas.  Outros países entretanto pensarão em imitar o exemplo inglês, embora não disponham das mesmas condições. Contudo veja-se o que se passa em França, onde Marine Le Pen, com sondagens tão favoráveis, e com um inegável sentido da oportunidade, já veio reclamar um referendo em França. No extremo oposto das opiniões sobre a UE, mas do mesmo lado do espectro político, poderá ressurgir o fantasma do federalismo, sobre o qual propomos que acedam o link abaixo.

Os britânicos, melhor dito os ingleses (na Escócia e na Irlanda do Norte venceu o Remain), votaram a favor da saída. Alguns chamam a atenção para que sempre houve um sentimento antieuropeu entre eles. Perguntamos: porque não fizeram um referendo à entrada?*  Entretanto, o brexit poderá encorajar um novo referendo sobre a independência da Escócia. E a Irlanda do Norte também poderá querer alterar o seu estatuto.

http://apologiadosfieis.blogspot.pt/2012/12/uniao-europeia-ruma-governo-mundial.html

 

– Nota de A Viagem dos Argonautas –

Houve efectivamente um referendo no Reino Unido sobre a entrada na então CEE. Decorreu a 5 de Junho de 1975, e o Sim à entrada obteve cerca de 67 % dos votos, portanto uma maioria confortável. Ver detalhes na Wikipedia em:

https://en.wikipedia.org/wiki/United_Kingdom_European_Communities_membership_referendum,_1975

Pedimos desculpa pelo lapso. Julgamos que não altera a essência do nosso editorial.

 

1 Comment

  1. Ficava bem à “Viagem dos Argonautas” ter sido, desde sempre, um adversário confesso do IVº Reich/UE. Embarcar num qualquer obra política do tal Mário Soares nunca podia ter sido uma opção minimamente aceitável. Agora mais uma derrota para o imperialismo germânico que, como sempre, continua com as mãos sujas. Quem viveu com uma alegria desmedida a derrota alemã na Batalha da Inglaterra, o Dia D e o Dia da Vitória volta, hoje, a ter uma alegria bem merecida. Oxalá os nossos sabujos de São Bento – todos vergonhosamente europeístas – saibam arrepiar caminho. O colaboracionismo em curso é tão mau como o de 39/45.CLV

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