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A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 2. O PROBLEMA DA CRIAÇÃO MONETÁRIA PARA QUEM NÃO SABE DESTAS MATÉRIAS, por ANDRÉ-JACQUES HOLBECQ – IV

Falareconomia1

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

André-Jacques Holbecq

André-Jacques Holbecq, La création monétaire pour les nuls

Societal.org, 21 de Abril de 2009

(CONTINUAÇÃO)

4. Compliquemos um pouco a nossa análise com um sistema monetário composto de duas redes de bancos comerciais A e B

4.1. Fuga dos depósitos e desenvolvimento equilibrado

Seja  um sistema monetário composto de duas redes de bancos comerciais A e B cujas partes de mercado são respectivamente de 10% e 90%

Imaginemos  que as redes bancárias A e B concedem  cada um 100 unidades de  créditos novos.

Os beneficiários dos créditos de 100 unidades  atribuídos por A, vão gastar o seu depósito à vista junto dos seus fornecedores que são repartidos de acordo com as partes de mercado respectivas. 10 unidades voltam sob a forma de depósitos para o  A e 90 “fogem” para o banco  B.

A utilização pelos beneficiários dos créditos atribuídos por B traduz-se de maneira idêntica pelo contrário por  um regresso de depósitos de 90 em B e por uma “fuga” de 10 para o banco A.

Tem-se pois como balanços intermediários:

Balanço da rede do Banco A Bilan du réseau banque B
activo passivo activo passivo
Credito : 100 Depósito à vista : 20
(10 vindos dos clientes  de A e 10 vindos dos clientes de B)
Crédito : 100 Depósito à vista180

 
(90 são provenientes da rede do próprio banco B   90 provenientes da rede dos clientes de A )

 

A ligação estabelecida entre os bancos mostra então :

Balanço da rede do Banco A Balanço da rede do banco B
activo passivo activo passivo
Crédito sobre o banco B : 10 Dívida para com o banco B : 90 Crédito sobre o banco A  : 90 Dívida para com o banco A : 10

 

Os bancos podem então proceder a uma compensação  

O banco A   deve  90 ao banco B que, por seu lado, lhe deve  10. Resta pois por liquidar uma dívida líquida de  A para com B  de 80

Balanço da rede bancária  de A Balanço da rede bancária  de B
activo passivo Activo passivo
Créditos : 100 Depósitos à vista  : 20
Dívida para com B : 80
Créditos : 100
Crédito sobre o banco A  : 80
Depósito à vista : 180

Uma rede bancária pode conceder de maneira autónoma mais créditos (sem estar a fazer apelo ao  refinanciamento interbancário) se a sua parte de mercado sobre os depósitos for importante. É por conseguinte estratégico para um banco procurar conquistar (ou defender) partes de mercado sobre os depósitos.

=> as fugas fora de cada rede bancária compensam-se perfeitamente se a relação dos créditos  novos for igual à relação das partes de mercado de depósitos. Nenhuma  operação de refinanciamento é neste caso  necessária  (“todos os bancos marcham com a mesma passada ” diz Keynes). Esta condição é dita “de desenvolvimento equilibrado”

Demonstração, com :

F= fugas
C = Crédito
D = Depósitos

O montante de fugas para fora da rede bancária de A : FA = 0,9 x CA= (1 – DA) CA
O montante de fugas para fora da rede bancária de B é: FB = 0,1 x CB = (1 – DB) CB
Para que haja compensação integral é necessário  (1) que as fugas da rede  FA sejam  iguais às fugas da rede bancária FB, seja  FA = FB
Então  (1 – DA) CA = (1 – DB) CB
Como  (1 – DA) = DB
 como  (1 – DB) = DA
a igualdade  (1) torna-se  CA / CB = DA / DB (= 1 /9 no nosso exemplo ): a relação de créditos emitidos por A  aos créditos emitidos por  B é igual à relação dos depósitos  de A aos depósitos de B.

(continua)

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Ver o original em:

http://www.societal.org/monnaie/creationmonnaiepourlesnuls.pdf

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Para ler a parte III deste trabalho de André-Jacques Holbecq, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 2. O PROBLEMA DA CRIAÇÃO MONETÁRIA PARA QUEM NÃO SABE DESTAS MATÉRIAS, por ANDRÉ-JACQUES HOLBECQ – III

 

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