A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 1. O QUE PELO MENOS SE DEVE SABER QUANTO À CRIAÇÃO DE MOEDA, por ANDRÉ-JACQUES HOLBECQ – IV

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

André-Jacques Holbecq
André-Jacques Holbecq

 André-Jacques Holbecq, Ce qu’il faut au moins savoir sur la création monétaire

AgoraVox, 26 de Janeiro de 2009

(CONCLUSÃO)

Complemento 1 : As massas monetárias  (agregados)

Três agregados (bonecas russas) representam a massa monetária que circula na economia

Agregados monetários, genericamente

A moeda é usada como forma de extinguir dívidas, e como uma reserva de valor. Consoante as suas funções e características, o dinheiro é hoje classificado numa de várias medidas, que vão desde uma definição estrita, mais directamente afectada pela política monetária, até uma definição lada. Estas medidas são chamadas “agregados monetários”, tendo geralmente um prefixo M, e indo de M0 a M3, de um sentido mais estrito a mais lato.

M0

M0 é a moeda física mais depósitos junto do banco central. É a medida mais líquida, apenas incluindo activos que podem ser movimentados imediatamente.

O M0 também é visto como sendo dinheiro do banco central, visto que apenas o banco central o pode criar. Todos os outros agregados são vistos como dinheiro da banca comercial, visto que podem ser criados na banca comercial.

M1:

M1 = M0 + saldos de contas à ordem, também imediatamente movimentáveis.

M2 ;

M2 = M1 + depósitos a prazo de baixos montantes (no caso dos EUA, até $100 000) e fundos de tesouraria não institucionais

M3;

M3 = M2 + depósitos a prazo de grandes montantes + fundos de tesouraria institucionais + repos de curta duração + outros activos líquidos. È a forma mais lata de dinheiro.

Agregados monetários, União Europeia

Banco Central Europeu define os agregados monetários da seguinte forma:[3]:

  • M1: Moeda em circulação + depósitos overnight
  • M2: M1 + depósitos com uma maturidade até 2 anos + depósitos desmobilizãveis com um pré-aviso até 3 meses
  • M3: M2 + Repos + Fundos de tesouraria + Instrumentos de dívida com maturidade até 2 anos

 

Banca fraccional

Os diferentes agregados monetários derivam da prática da banca fraccional. Quando um banco faz um empréstimo, num sistema de banca fraccional, um novo tipo de dinheiro é criado. Este novo tipo de dinheiro é o que constitui os componentes M1 a M3. Ou seja, existem 2 tipos de dinheiro:

  • Dinheiro do banco central(moeda física)

  • Dinheiro da banca comercial(dinheiro criado através de empréstimos) – sendo que este último constitui a fatia esmagadora do dinheiro em circulação.

Exemplo: quando é concedido a alguém um empréstimo de 100000 Euros para comprar uma casa, passa imediatamente a existir um depósito de 100000 Euros, que será entregue ao vendedor da casa, sem que nenhuma outra pessoa se veja privada do uso de 100000 Euros, pelo que efectivamente passaram a existir mais 100000 Euros.

Um exemplo numérico da economia francesa.

Holbecq - VIII

 

Os bancos comerciais criam por conseguinte, pelo crédito, cerca de 85% de M1 e 93% de M3

Um outro agregado designado por  M0, que  raramente é utilizado, não é um agregado de M1. É “a moeda de base ” ou “moeda central” ou “base monetária” definida como: “notas  e moeda escritural inscrita   nas  contas dos bancos junto do  Banco Central.”

Complemento 2: As contrapartidas

As contrapartidas  da massa monetária representam o conjunto dos financiamentos e indicam em que  ocasião a moeda foi criada

Contrapartidas  da massa monetária M3, em milhares de  milhões de euros

  • Créditos ao sector privado: 9657

(Créditos atribuídos pelas  Instituições  Monetárias e Financeiras às empresas e famílias)

  • Créditos ao sector público: 2482

(Créditos atribuídos pelas IMF às administrações públicas locais e os organismos de segurança social)

  • Créditos líquidos sobre o exterior: 459

(Incidência do saldo das transacções correntes sobre os activos dos residentes da zona euro)

  • Recursos não monetários das Instituições Monetárias e Financeiras: – 5127

(A fim de fazer aparecer somente as contrapartidas dos  activos monetários, são  deduzidos  os recursos de poupança estável e os fundos próprios )

  • Diversos: – 358

(Ponto de ajustamento estatístico mas também por exemplo de activos imobiliários pelas IMF por conta própria, registados sobre esta linha em contrapartida  de um crescimento da moeda no passivo das IMF)

Total = M3 = 7113 Md€

(para uma quantidade de moeda fiduciária – moeda central em circulação na economia – de 528 Md€)

Espero que este pequeno resumo vos venha a ser útil l na compreensão dos fenómenos monetários dos quais fala-se muito neste momento. Para os que quereriam aprofundar este assunto, aconselho o pequeno livro de Dominique Plihon ” la monnaie et ses mécanismes ”.

 

André-Jacques Holbecq, Ce qu’il faut au moins savoir sur la création monétaire. Texto disponível em :

http://www.agoravox.fr/actualites/societe/article/ce-qu-il-faut-au-moins-savoir-sur-50612

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Ver o original em:

http://www.agoravox.fr/actualites/societe/article/ce-qu-il-faut-au-moins-savoir-sur-50612

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Para ler a Parte III deste trabalho de André-Jacques Holbecq, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 1. O QUE PELO MENOS SE DEVE SABER QUANTO À CRIAÇÃO DE MOEDA, por ANDRÉ-JACQUES HOLBECQ – III

 

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